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segunda-feira, 3 de junho de 2019

A DESPEDIDA IMPOSSÍVEL Frei Bento Domingues, O.P.


1. Não estamos condenados a repetir os mesmos erros. O Concílio de Florença-Ferrara, de 1442, produziu a seguinte declaração solene: «A Santa Igreja crê, firmemente, confessa e proclama que ninguém, fora da Igreja católica – e não apenas os pagãos, mas também os judeus e os cismáticos – não podem tomar parte na vida eterna, mas irão para o fogo eterno, preparado pelo diabo e os seus anjos (Mt 25-41), a menos que antes do fim da sua vida de novo se lhe tenham unido». Temos, assim, uma instituição dedicada a meter gente no inferno. Esta Igreja estava divorciada de Jesus Cristo. Pensava que mandava em Deus. Este teria de a consultar acerca dos que merecem o céu e dos que já estão condenados.

Vejamos, no entanto, um contraste, que não é o primeiro. No voo de regresso da visita apostólica à Bulgária e à Macedónia, o Papa Francisco começou por frisar o que estes países tiveram de sofrer para se conseguirem constituir como nações, mas esquecemos que o cristianismo entrou no Ocidente pela Macedónia (Act 16, 9). Em ambos os países existem comunidades cristãs, ortodoxas, católicas e muçulmanas. A percentagem ortodoxa é muito alta nos dois países, a dos muçulmanos é menor e a dos católicos é mínima na Macedónia e maior na Bulgária. O Papa ficou muito impressionado com o bom relacionamento entre os diferentes credos, entre as várias crenças. Na Macedónia impressionou-o uma frase do Presidente: «Aqui não há tolerância de religião. Há respeito». Eles respeitam-se! Num mundo onde falta o respeito pelos direitos humanos e por tantas outras coisas, inclusive o respeito pelas crianças e pelos idosos, que o espírito de um país seja o respeito, impressiona!

Passou, depois, ao elogio dos Patriarcas ortodoxos. De todos só soube dizer bem. Dão um grande testemunho. Encontrei neles irmãos e de verdade, em alguns, não quero exagerar, mas quero dizer a palavra, encontrei santos, homens de Deus. Depois existem questões de ordem histórica. Hoje, dizia-me o Presidente da Macedónia: o cisma entre o Oriente e o Ocidente começou aqui, na Macedónia. Agora, pela primeira vez, vem o Papa… para consertar o cisma? Não sei, mas somos irmãos.

Antes de se despedir dos jornalistas, não resistiu a contar duas experiências-limite que muito o impressionaram: uma com os pobres na Macedónia, no Memorial da Madre Teresa. Estavam tantos pobres, mas aquelas irmãs cuidavam deles sem paternalismo, como se fossem seus filhos. Uma capacidade de acariciar os pobres com ternura. Hoje, estamos habituados ao insulto: um político insulta outro, um vizinho faz o mesmo e até nas famílias se insultam entre si. O insulto é uma arma ao alcance da mão, assim como a calúnia e a difamação. Aquelas irmãs cuidavam de cada pessoa como se fossem Jesus. Eram uma igreja-mãe. Depois, pude participar na primeira comunhão de 245 crianças. Eram o futuro da Igreja, o futuro da Bulgária!

Este Papa anda sempre a despedir-se sem nunca o conseguir. Fica com as comunidades e as pessoas que visita e, como nos Actos do Apóstolos, conta as suas experiências para semear outras formas de ser Igreja, que não têm nada a ver com a instituição dos anátemas.

2. Os cristãos celebram hoje a Ascensão, a Festa de todos os equívocos. Cristo para onde foi? Abandonou-nos? Mas, por outro lado, não tinha já declarado: Eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos[1]? A confusão é, por vezes, hilariante[2]. O melhor é recorrer ao livro dos Actos, o segundo volume de uma obra mais vasta. São a primeira história da Igreja, embora muito parcial. Vale a pena lembrar o seu propósito: «No meu primeiro livro, ó Teófilo, narrei as obras e os ensinamentos de Jesus, desde o princípio até ao dia em que, depois de ter dado, pelo Espírito Santo, as suas instruções aos Apóstolos que escolhera, foi arrebatado ao Céu. A eles também apareceu vivo depois da sua paixão e deu-lhes disso numerosas provas com as suas aparições, durante quarenta dias, falando-lhes também a respeito do Reino de Deus. No decurso de uma refeição que partilhava com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem lá o Prometido do Pai, do qual – disse Ele – me ouvistes falar. João baptizava em água, mas, dentro de pouco tempo, vós sereis baptizados no Espírito Santo».

A seguir complica mais as coisas: «Estavam todos reunidos, quando lhe perguntaram: Senhor, é agora que vais restaurar o Reino de Israel? Respondeu-lhes: Não vos compete saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou com a sua autoridade. Mas ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo».

O programa estava traçado. O reaparecimento dos mundanos sonhos de dominação política dos discípulos são, de novo e definitivamente, recusados. Parecia que as despedidas estavam feitas. Mas não. «Dito isto, elevou-se à vista deles e uma nuvem subtraiu-o a seus olhos. E como estavam com os olhos fixos no céu, para onde Jesus se afastava, surgiram de repente dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: Homens da Galileia, porque estais assim a olhar para o céu? Esse Jesus que vos foi arrebatado para o Céu virá da mesma maneira, como agora o vistes partir para o Céu»[3].

3. Não era fácil a tarefa dos autores das narrativas a seguir ao Domingo de Páscoa.

Fui abordado, várias vezes, com esta pergunta directa: o Crucificado e o Ressuscitado são a mesma pessoa? Com esta pergunta vem outra associada: o que é que sobrevive das pessoas, quando morrem? Mantêm a sua personalidade essencial? Para onde vão? Onde vivem?

Os textos, no referente a Cristo, coincidem todos com a conclusão do extraordinário e atrevido sermão de Pedro no Pentecostes: «Saiba, portanto, toda a casa de Israel, com certeza: Deus constituiu Senhor a Cristo, a esse Jesus que vós crucificastes»[4].

Tenha-se em conta que a palavra céu, céus, ou reino dos céus significa Deus. Em Deus vivemos, nos movemos e existimos. Deus é a casa do mundo.

Perguntar onde fica o céu é confundir uma metáfora com um lugar. Cristo não se pode despedir do mundo. Pela incarnação é o Emanuel, isto é, Deus connosco. Neste sentido, Cristo é contemporâneo de todos os povos, de todos os tempos e de todos os lugares. Então que significam as suas despedidas impossíveis? É o tema da próxima crónica: o Pentecostes, a recusa de uma despedida.



02.Junho.2019



[1] Mt 28,20
[2] Jo. 16, 5-11
[3] Act 1, 1-10
[4] Act 2, 36

domingo, 26 de maio de 2019

HAVERÁ ALTERNATIVAS À ECONOMIA QUE MATA? Frei Bento Domingues, O.P.


1. Os anos não perdoam. Os adversários das posições e das práticas do Papa Francisco confiaram, durante bastante tempo, nessa lei da natureza. Quando se deram conta de que este argentino resiste e não desiste das reformas que propôs, entraram em pânico: dada a sua popularidade, é possível que da eleição de um novo Papa surja alguém da mesma linha. Isso não pode acontecer! Daí, a reunião de pessoas e recursos da finança internacional para denegrirem a imagem de Bergoglio.

 Para esses grupos - pouco numerosos, mas com muita visibilidade e acesso a inúmeros recursos - é insuportável ter à frente da Igreja Católica alguém que denuncia a economia dominante como “economia que mata”. Supor que existem e podem crescer alternativas a esta economia é uma blasfémia, uma heresia económica sem perdão.

Até agora, o Papa Francisco agia de forma exemplar em relação aos que são deixados à margem e abandonados. Fazia incessantes apelos em socorro das vítimas da guerra que procuram, em condições miseráveis, acolhimento noutros países. Em todo esse esforço, é sempre o Papa a agir e a falar ou a nomear comissões de estudo para resolver problemas. Mesmo os três notáveis discursos sobre a injustiça social e económica, dirigidos aos movimentos populares[1], não fogem a esse estilo. Agora, porém, com a Carta convocatória para o Encontro “Economy of Francesco”, em Assis, de 26 a 28 de Março de 2020, parece ter começado uma era nova. É dirigida a jovens economistas, empreendedores e empreendedoras de todo o mundo, não como mestre em Doutrina Social da Igreja, mas como alguém que deseja participar no conhecimento das alternativas que existem à “economia que mata” e ampliar as suas potencialidades.

 Antes de realçar a significação desta mudança, devo dar a palavra à própria Carta. No primeiro parágrafo resume o seu desejo: «Esta Carta é para vos convidar para uma iniciativa que muito desejei: um evento que me permita encontrar quem, hoje, está a formar-se, a começar a estudar e a praticar uma economia diferente que faz viver e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, que cuida da criação e não a degrada. Um evento que nos ajude a estar juntos e a conhecermo-nos, que nos leve a fazer um “pacto” para mudar a economia actual e dar uma alma à economia de amanhã».

Recorre à sua Encíclica Laudato si’: «sublinhei como hoje, mais do que nunca, tudo está intimamente ligado, e a salvaguarda do ambiente não pode ser separada da justiça para com os pobres e das soluções dos problemas estruturais da economia mundial. É preciso, portanto, corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito pelo ambiente, o acolhimento da vida, o cuidado pela família, a equidade social, a dignidade dos trabalhadores, os direitos das futuras gerações. Infelizmente, continua ainda por escutar o apelo a tomar consciência da gravidade dos problemas e, sobretudo, a concretizar um modelo económico novo, fruto de uma cultura da comunhão, baseado na fraternidade e na equidade».

Voltando à Carta do Papa: «desejo encontrar-vos, em Assis, para juntos promovermos, através de um “pacto” comum, um processo de mudança global que veja, em comunhão de propósitos, não só quantos têm o dom da fé, mas todos, mulheres e homens de boa vontade, para além das diferenças de credo e de nacionalidade, unidos por um ideal de fraternidade atento sobretudo aos pobres e aos excluídos. Convido cada um de vós a ser protagonista deste pacto, assumindo a tarefa de um compromisso individual e colectivo para cultivarmos juntos o sonho de um novo humanismo que responda às expectativas do ser humano e do desígnio de Deus»[2].

2. É evidente que as grandes escolas de economia e gestão também gostam de jovens. Sem eles, não poderiam existir. A questão de fundo é a sua orientação. Estão ao serviço de que interesses? Não falta quem afirme que, muitas vezes, se destinam a uma lavagem ao cérebro, para que aprendam a engenharia de manter e aprofundar as desigualdades sociais. Não desejam um mundo de cidadãos, mas de consumidores que, de tão obcecados com os níveis do seu próprio consumo, acabem por fazer o jogo dos que ganham com esta economia “que mata”. Essa economia foi concebida, não para fortalecer a democracia, mas para a enfraquecer subordinando o poder político ao poder económico. A publicidade revela e esconde. Revela o que tu deves desejar e esconde o que te arruína. A máquina desta engenharia tem ao seu serviço uma grande rede de ilusionistas para mostrar que não há alternativa, ignorando aquelas que, já no terreno, estão a abrir novos caminhos de participação. Quem domina a economia também domina os grandes meios de comunicação. Não lhes interessa divulgar as iniciativas que coloquem em cheque a mentalidade e as práticas dominantes, criando um futuro diferente para as pessoas e as comunidades[3].

3. É muita ousadia da parte do Papa tentar destruir o dogma de que não há alternativas viáveis à economia dominante. Existem, são pouco conhecidas e muito pouco divulgadas. O encontro de Assis tem como primeiro objectivo partilhar o que já está a acontecer nas diferentes partes do mundo. Maior ousadia ainda é convocar, crentes e não crentes, para que as «vossas universidades, as vossas empresas, as vossas organizações se tornem estaleiros de esperança para construir outros modos de entender a economia e o progresso, para combater a cultura do descartável, para dar voz a quem não a tem, para propor novos estilos de vida». É ousadia porque não faz uma encíclica ou cria uma comissão, mas convoca para um movimento que fermente a massa, quando normalmente à Santa Sé se pede que tenha a primeira e a última palavra. Este Papa quer entrar na escola dos jovens que investigam, quer conhecer as experiências em curso e, sobretudo, os novos projectos de economias alternativas. Não os trata como objectos do seu magistério, mas como sujeitos do percurso da Igreja.

O que diz respeito a todos deve ser tratado por todos. O próprio Jesus estremeceu de alegria ao ver chegar uma nova Era: o que durante séculos e séculos tinha sido ocultado ao povo simples, aos pequeninos, pelas interpretações rebuscadas e abusivas dos falsos sábios das Escrituras, estava, finalmente, ao alcance de todos[4].

A Igreja do Pentecostes é um processo nunca acabado de novas experiências, novas práticas e o grito dos sem vez e sem voz. O contrário do condomínio fechado de privilegiados do saber, do dinheiro, isto é, do poder de dominar.

26.05.2019



[1] Cf. Papa Francisco, Terra, Casa, Trabalho, Temas e Debates – Círculo de leitores, 2018
[2] Quem desejar conhecer esta Carta, na íntegra, pode recorrer ao site do Vaticano.
[3] Veja-se por exemplo o filme “Amanhã” de Cyril Dion e Mélanie Laurent.
[4] Cf. Lc. 10, 17-24

terça-feira, 21 de maio de 2019

Votar é agradecer - Paulo Fafe - DM

Quase todos os dias lidamos com políticos arrogantes
que mentem com descaro, enganam,
criam obstáculos, encobrem, ignoram a ética e
fazem tudo o que é preciso para conseguir o voto,
mesmo quando sabem que estão a ser mentirosos
e a verdade lhes diz que são falsos como
Judas. Feliz daquele que conhecer algum diferente. No próximo
domingo vamos votar quanto mais não seja por respeito à
democracia. Perguntamos muitas vezes em quem vamos votar
e com certa razão. Certa como advérbio de dúvida e não
certa como advérbio de afirmação. Muitos de nós não sabem
como funciona a estrutura política do parlamento europeu
porque não querem debruçar-se sobre o seu funcionamento.
Basta ir à NET clicar no lugar devido (EU) e lá estão os órgãos
, seu funcionamento e atribuições e poder. Isto é fácil e rápido.
Agora outra coisa muito mais difícil, se não mesmo impossível
de saber, é o que faz cada um dos deputados europeus;
no nosso caso, o que faz cada um dos deputados portugueses
nesse parlamento para os podermos escolher nas eleições de
domingo? Eles estão integrados em grupos ou famílias ideológicas
partidários e o seu trabalho individual e contributos políticos
estão diluídos nesses trabalhos parlamentares. É como
se perguntássemos ao oceano onde estão as gotas dos rios. Esta
verdade é inquestionável. Por outro lado é igualmente verdade
que a nossa comunicação social não nos diz nada sobre
o que cada um faz, deixando-nos completamente alheios ou
indiferentes quanto à sua participação, sua importância ou relevância.
Resultado disto o total alheamento dos portugueses
pela campanha das europeias; se houvesse uma sondagem sobre
o conhecimento do trabalho dos nossos deputados europeus,
arriscaríamos a dizer que não ultrapassaria um por cento
aqueles que sabem o que por lá se passa. Depois, ainda há
dias, um jornal dizia que os deputados europeus ganhavam 12
mil euros limpos por mês em parangona que chegou ao nosso
conhecimento como um labéu. Todos sabemos que vencimentos
destes, à escala portuguesa, é uma enormidade, mas
estamos a comparar coisas distintas donde resultará um juízo
de valor distorcido. Comparar o nível de vencimentos da
EU com Portugal é comparar a rã com o boi de La Fontaine.
Estas parangonas vendem sensacionalismos mas prestam um
mau serviço de informação porque devem ser enquadradas
e referenciadas com o nível de vida de lá e não comparadas
com o nível de vida de cá; ditas desgarradas e secas são um
anátema. E esta notícia fez-se viral na NET e, nela, sem qualquer
explicação ou enquadramento, agitou os ventos de popa
e levará as pessoas a uma recusa de votar. Teria razão Taylor
quando afirmou que o homem é indolente, invejosos por natureza,
e que o sucesso dos outros lhe faz mal? É este espelho
que nos reflete na abstenção às europeias? Dizem que os deputados
europeus desempenham um papel importante, quer
integrados nos seus grupos, quer contribuindo individualmente
com a discussão dos temas em plenário. Não tenho razões
para não acreditar como também não tenho conhecimento direto
para acreditar. Por isso, “in dubio pro reo”. Se mesmo assim
isto não chega ou não o convence a ir votar no domingo,
então, deverá ir votar por respeito à democracia; nesse gesto
contemplo um agradecimento por aqueles que perderam a
vida e seus cabedais a lutar para que hoje possamos votar em
liberdade. Eu vou votar para agradecer-lhes.

domingo, 19 de maio de 2019

MULHERS CATÓLICAS EM GREVE Frei Bento Domingues, O.P.


1. As mulheres sabem que são mais de metade da Igreja católica. Dir-se-á que apenas uma minoria feminista protesta contra o silenciamento que lhes é imposto. Na Igreja, as mulheres que se calem! Não foi nenhuma mulher que o disse e quem o afirmou ainda não tinha passado inteiramente para o Novo Testamento (NT).

Foi apresentado, na UCP, o livro Mulheres diáconos. Passado – Presente – Futuro[1]. Como refere a Introdução, o livro apresenta três tópicos interligados: as mulheres diáconos tal como elas são conhecidas através de documentos históricos; o diaconado, tal como se tornou uma vocação permanente na Igreja contemporânea e aquilo que o futuro das mulheres diáconos poderia vir a ser, se a Igreja restabelecesse a sua tradição de ordenar mulheres para o diaconado. Trata-se de um esforço conjunto que pretende ajudar a Igreja a recuperar a sua tradição passada como meio de construir o seu futuro.

É sabido que o Papa João Paulo II († 2005) nada fez para restaurar o diaconado ordenado das mulheres e o ex-Papa Bento XVI seguiu-lhe o exemplo.

Só em 2016 é que o Papa Francisco começou a agir, convocando uma Comissão de especialistas, seis homens e seis mulheres, para enfrentar esta questão. No final, entregaram um relatório ao Papa Francisco. O principal objectivo da Comissão era estudar as mulheres diáconos na Igreja primitiva. Não está em dúvida a existência de mulheres diáconos. A questão gira em torno das suas funções.

No voo de regresso da viagem apostólica à Bulgária e à Macedónia do Norte (07. 05. 2019), o Papa revelou, com algum humor, que a comissão trabalhou durante quase dois anos. Eram todos diferentes, todos «rãs de lagos diferentes», todos pensavam de forma diferente, mas trabalharam juntos e chegaram a acordo até um certo ponto. Mas, cada um deles tem a sua própria visão, que não concorda com a dos outros, e pararam aí como comissão. Cada um está a estudar como prosseguir. Isso é bom! Varietas delectat.

A variedade deleita, mas não deve servir para passatempo de diletantes. As mulheres católicas, na Alemanha, já não suportavam mais conversa vazia e resolveram entrar em greve. Foi convocada para esta semana, entre sábado passado, dia 11, e o próximo, dia 18 de Maio. Deixaram lenços brancos nos bancos das Igrejas e, no exterior, nas praças e nos adros, houve celebrações, partilha, canto, mulheres vestidas de branco.

Com todas as cautelas eclesiásticas, o porta-voz da Conferência Episcopal Alemã, Mathias Kopp, em declarações a uma cadeia de TV, em Roma, já acusou o toque. Veremos o que irão fazer…

Os bispos alemães anunciaram que vão abrir um sínodo de diálogo com alargada participação de todos e todas, sem temas-tabu. Veremos, como diz o cego[2].

2. Na história da Igreja, desde o NT, há sempre que investigar, mas não é preciso esperar o fim do mundo para decidir. S. Paulo esperava-o para muito breve. As comunidades cristãs, na sua variedade, sentiram que este mundo é o lugar de testemunhar e seguir o caminho aberto por Jesus de Nazaré. Daí surgiram as narrativas de S. Marcos, S. Mateus, S. Lucas e S. João. São razoavelmente diferentes, reflectindo situações diversas, mas todas com o mesmo objectivo: o seguimento criativo de Jesus em todas as situações da vida.

Quando, na Eucaristia, se diz Fazei isto em memória de Mim, não é porque Jesus tivesse receio de ser esquecido. Significa, pelo contrário, continuai o Evangelho. O Pentecostes indica, precisamente, não fiqueis a olhar para o ar, ide por todo o mundo e inventai o futuro na linha inaugurada pelo Nazareno, porque o espírito dele e o dos discípulos é o mesmo, igualmente criativo.

Quando, hoje, se discute o lugar das mulheres, na Igreja católica, o que é preciso ter em conta, em primeiro lugar, é a criatividade de Jesus. Para isso é necessário pensar na situação social e religiosa da mulher, quando Ele entra em acção. A expressão usada pelas narrativas evangélicas, nos momentos solenes, dizia tudo em poucas palavras: não contando mulheres e crianças. Estavam lá, mas não contavam. O facto de não falarem delas, na chamada Última Ceia, não significa, necessariamente, que não tivessem participado. Naquela cultura, elas não contavam. Diz-se, por outro lado, que nunca são chamadas discípulas, no entanto, o vocabulário da realidade do discipulado é-lhes aplicado, muito mais do que aos homens. No Evangelho de Marcos é dito que junto da cruz “também ali estavam algumas mulheres a contemplar de longe, entre elas, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé, que o seguiam e serviam quando ele estava na Galileia; e muitas outras que tinha subido com Ele a Jerusalém”[3].

3. Seguir e servir é o vocabulário dos discípulos, dos Doze: “Nós seguimos-te”[4]. Implicava deslocar-se com o mestre nas tarefas da evangelização, algo impensável na sociedade em que Jesus cresceu. Quando Marcos diz que as mulheres, que estavam ao pé da cruz, seguiam Jesus, é porque faziam parte do grupo itinerante dos seus discípulos. Seguiram-no desde a Galileia até Jerusalém. Não para executar as tarefas tradicionalmente atribuídas às mulheres, mas para entrarem na sua escola, acolhendo os seus ensinamentos. Elas não podiam estudar a Palavra de Deus. Alguns rabinos diziam que era preferível queimar o livro da Lei a entregá-lo à guarda de uma mulher; quem ensina a Lei à sua filha, ensina-lhe obscenidades; todos os males que existem no mundo entram pelo tempo que os homens perdem a falar com as mulheres[5].

No Evangelho de Lucas, afirma-se que “Jesus ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a Boa-Nova do reino de Deus, acompanhavam-no os Doze e algumas mulheres que tinham sido curadas de espíritos malignos e enfermidade: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios; Joana, mulher de Cuza, administrador de Herodes; Susana, e muitas outras, que os serviam com os seus bens”[6]. Note-se como o evangelista coloca os Doze e as mulheres num mesmo nível, uma vez que une os dois grupos com a conjunção “e”, que serve para os igualar.

Isto sem falar que, quem evangelizou os Doze, depois da sua traição e da Ressurreição de Cristo, foram as mulheres, a começar por Maria Madalena, segundo os quatro evangelistas[7].

Quando, hoje, se estuda a história para saber o lugar das mulheres na Igreja, esquece-se o essencial: a revolução de Jesus, a memória da sua intervenção que, ainda hoje, entendemos mal.

19. Maio. 2019



[1] Gary Macy, William T. Ditewig, Phyllis Zagano, Mulheres diáconos. Passado – Presente – Futuro, Paulinas Editora, 2019.
[2] Cf. 7Margens, 14.05.2019
[3] Mc 15, 40-41
[4] Mc 10, 28
[5] Cf. Ariel Álvarez Valdés, Jesus teve discípulas mulheres, in Bíblica 382 (Maio-Junho 2019), 387-392.
[6] Lc 8, 1-3
[7] Cf. A. Cunha de Oliveira, Jesus de Nazaré e as mulheres, Instituto Açoriano de Cultura, Angra do Heroísmo, 2011; José António Pagola, Jesus. Uma abordagem histórica, Gráfica de Coimbra, 2008, cap. 8 Amigo da Mulher

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Quando é que chegará a justiça para todos, aplicada de um modo imparcial e equitativo?-A. Fernandes-DM

Os responsáveis pelas sociedades, associações ou instituições
devem ter como objetivo (e dever primordial)
o desenvolvimento social das pessoas, ou seja, o seu
bem-estar, a justiça, a saúde, a educação, a igualdade
de oportunidades, a promoção de salários dignos, do
pleno emprego e do respeito pelos direitos de todos.
Estes objetivos nunca se atingirão, a não ser por meio de um desempenho
de funções honesto, desprendido, justo, vertical e sem
qualquer tipo de aceção de pessoas.
Só assim se acabará com a corrupção, com o desvio de dinheiros
públicos e com a sua distorcida e, muitas vezes, maléfica aplicação.
Os corruptos, os desonestos ou os desbaratadores do erário
público ainda têm a desfaçatez de se vangloriar dos proveitos de
dinheiro e de bens patrimoniais mal adquiridos, passeando pelas
avenidas das cidades do próprio país e do mundo, exibindo toda
uma riqueza obtida pela volúpia gananciosa dos seus desejos ávidos
do alheio, galhardeada por uma atividade ardilosa. A impunidade
e a parasitagem continuam a ter terreno fértil para viver
confortavelmente sem correr qualquer risco de vir a ser incomodadas.
Parece que possuem um certificado de livre circulação. Infelizmente,
ainda se mantém um grande fosso entre a justiça para
ricos (onde reina uma grande impunidade) e a justiça para pobres
(onde não há grandes contemplações). Os corruptos e os desonestos
tentam ignorar que a coisa mais relevante para se aprender na
vida é a ciência de saber como se deve viver no dia a dia, de consciência
tranquila.
A felicidade não está meramente naquilo que se tem, mas naquilo
que se consegue de um modo honesto e se usa do mesmo modo,
no respeito total dos direitos dos outros e estando-se sempre
ao serviço das comunidades. Há pessoas que têm objetivos dignos
e modelares na sua vida, mas muitas outras arrastam a sua existência
mergulhadas na desonestidade, usufruindo de bens que foram
obtidos por meios totalmente reprováveis à luz da dignidade humana.
Deles nada sai que vá beneficiar os mais necessitados. Se alguma
vez o fazem, é por orgulho, mostrando a sua falsa solidariedade,
no pressuposto errado de que, assim, vão tapando os olhos dos
outros. No seu gesto apenas reina a vaidade, a jactância e o egoísmo.
São os falsos beneméritos sociais. As mãos do homem nunca
devem respirar desonestidade. Mais tarde ou mais cedo, elas serão
corroídas pelo odor pestilento da corrupção que manusearam.
O homem deve ter horizontes nobres e procurar ir para além
do mundano, subir mais alto, vencer dificuldades, sentir o desabrochar
e o desenvolvimento de todas as suas faculdades superiores
de um modo digno, procurando sempre a verdade e a justiça
para penetrar e encher todo o seu ser. Dostoievski escreveu: “Não
é a inteligência que mais interessa mas o que a guia – o carácter, o coração,
as boas qualidades”. O que o homem usa correta e justamente
está sempre a aumentar e a enriquecê-lo moralmente; aquilo de
que se abusa retrocede, diminui o caráter e empobrece a pessoa
humana. Este é o horizonte verdadeiro e único para todas as funções
do homem.

domingo, 12 de maio de 2019

UM DOMINICANO PORTUGUÊS NO PERU Frei Bento Domingues, O.P.


1. Tenho uma grande dívida em relação a frei Henrique Urbano. Já fiz, neste jornal, breves referências a esta figura extraordinária, mas sempre com a ideia de lhe dedicar uma crónica[1]. Nasceu em Portugal, em Fermentelos, a 27 de Setembro de 1938. Frequentámos juntos, alguns anos, a Escola Apostólica de Aldeia Nova e o Studium Sedes Sapientiae, em Fátima, nos anos 50 do século passado. Era músico, poeta e apaixonado pelas Ciências Humanas.

Em Montreal (Canadá), fez um Mestrado sobre as relações entre Sociologia e Teologia Pastoral. Ainda antes do Doutoramento, já tinha entrado, a tempo inteiro, no Departamento de Sociologia da Universidade de Laval, onde ensinou até à sua jubilação, a 30 de Maio de 1999. Doutorou-se nessa Universidade em Sociologia, com uma tese sobre Mythes et utopies, no mundo inca.

Além do trabalho na Universidade e de acordo com ela, foi-lhe possibilitada uma carreira paralela, na América Latina. Com outros dominicanos que tinham sido meus colegas em Toulouse, durante um trimestre de cada ano e nos anos sabáticos, trabalhou na fundação e no desenvolvimento do Centro de Estudios Regionales Andinos “Bartolomé de Las Casas”, em Cuzco (Peru), com apoio financeiro de várias organizações canadianas. Dirigiu, durante vários anos, a Revista Allpanchis sobre questões sociológicas e antropológicas andinas e fundou a Revista Andina, com colaboração internacional, considerada então como a melhor revista de estudos neste domínio. Promoveu os estudos latino-americanos na Universidade Laval, dirigiu várias teses de Mestrado e de Doutoramento e organizou colóquios no Canadá e outros países. Coordenou intercâmbios entre a Universidade Laval e diversas instituições da América Latina durante vários anos.

Além deste Centro de Investigação, fundou a Casa Campesina, para ajudar os camponeses que precisavam de quem os guiasse na administração e na saúde, quando vinham à cidade. Fundou também o Colégio Andino, onde se ministravam cursos sobre todos os problemas latino-americanos.

Seria importante desenhar o contexto político e eclesial em que foi fundado e se desenvolveu esse complexo Centro, a começar pela reforma agrária de Juan Velasco Alvarado, passando pelo Sendero Luminoso, do maoísta e terrorista Abimael Guzmán e pela Teologia da Libertação de Gustavo Gutierrez que, mais tarde, se tornou dominicano.

2. Entrei nesse mundo em 1992, a partir de um Congresso Internacional, no México, promovido pelo Centro Bartolomé de Las Casas de Cuzco, para o qual me pediram uma conferência sobre Teologia nas Fronteiras. Aí, ficou decidido que eu passaria a ir, anualmente, dar aulas de Teologia da inculturação nesse Centro. Entretanto, verificou-se a urgência de fundar um Instituto com o objectivo de diálogo activo entre ciências humanas e teologia, complementando o trabalho desenvolvido nesse Centro.

Trabalhei anos a fio em Santiago do Chile, na fundação e configuração do Instituto Pedro de Córdoba. O nome deste dominicano foi escolhido porque tinha sido o responsável pelo célebre sermão de Montesinos (1511), em defesa dos índios explorados, na ilha La Española (actualmente Haiti e República Dominicana).

Foi por causa da minha colaboração nesses Centros que, depois, fui convidado para dar cursos na Colômbia e na Argentina.

No ano 2000, quando se dá um crescimento muito significativo da indústria do turismo, Henrique Urbano iniciou as suas actividades na Universidade de São Martinho de Porres (USMP Lima-Peru). Foi designado director do Instituto de Investigação de Turismo e Hotelaria que estabeleceu um Programa de cooperação com várias universidades estrangeiras, sobretudo do mundo ibero-americano. Obteve para a Universidade de São Martinho, a cátedra da UNESCO, Cultura, Turismo e Desenvolvimento. Fundou a revista Turismo e Património e foi o criador e primeiro director do Programa de Doutoramento em Turismo (2002), único na América Latina, com estudantes peruanos e estrangeiros.

3. Foi com surpresa que o meio intelectual internacional ligado aos estudos andinos recebeu a notícia da morte do investigador português, Henrique Oswaldo Urbano de Carvalho, que se destacou como etno-historiador, antropólogo e sacerdote dominicano. A sua partida aconteceu em Lima, Peru, a 24 de Setembro de 2014.

Em 2016, para recordar e homenagear a sua vida e obra (1938-2014), foi publicada a Historia y Cultura en el Mundo Andino, editada por Johan Leuridan Huys, Decano da USMP, e por outras personalidades, representantes de várias instituições académicas. Esta obra traz novas luzes sobre os contributos de frei Henrique e analisa, com detalhes antes desconhecidos, as marcas deixadas pelo grande investigador português, sobretudo na renovação dos estudos andinos e sobre as crónicas e a evangelização colonial no Peru[2].

Segundo o In Memoriam Henrique Urbano, assinado pelos professores Simon Langlois, Nicole Gagnon, Alexandra Areliano e Jean Gould, «além do seu trabalho de cientista rigoroso, deixa a recordação de um homem sempre sorridente, uma personalidade cativante, mostrando uma atitude positiva contagiante e sempre de um humor muito próprio. De espírito imaginativo e algo poético, produziu uma obra de língua subtilmente cáustica, marcada por um olhar crítico muitas vezes mordaz. Na sua carreira universitária, em Laval e em outras Universidades, deixou muitos discípulos e profundas e generosas amizades».

Não podemos reproduzir, aqui, a vasta bibliografia de frei Henrique, mas quem desejar conhecê-la pode sempre recorrer ao Google.

Era uma lei sagrada do monge: fica na tua cela e ela ensinar-te-á tudo. Com o aparecimento dos Dominicanos e Franciscanos, no século XIII, Mateus de Paris, monge, observa: para estes o mundo é a sua cela e o oceano o seu claustro. Frei Henrique pertencia a essa nova era da vida religiosa.



12.05.2019



[1] Dediquei-lhe a conferência de encerramento do Colóquio Rastos Dominicanos: de Portugal para o Mundo (09-11 de Outubro 2018).
[2] Sobre a originalidade da investigação de Henrique Urbano, ver Germán Morong Reyes y Alberto Díaz Araya, Henrique Urbano (1938-2014): De los ciclos Míticos Andinos a los senderos de la idolatría colonia, in Chungara, Revista de Antropologia Chilena, Vol. 47 (2015), 7-11.

domingo, 28 de abril de 2019

OS ESQUECIDOS DA PÁSCOA Frei Bento Domingues, O.P.


1. Os profetas bíblicos foram severos com o culto e os seus rituais por causa da injustiça e da hipocrisia que eles encobriam. Jesus de Nazaré nasceu dentro da mesma tradição religiosa e foi o seu crítico mais radical. No célebre diálogo que abriu com uma mulher samaritana, junto ao poço de Jacob – judeus e samaritanos odiavam-se – atreveu-se a dispensar os respectivos lugares sagrados para a relação com Deus: Mulher, chegou o tempo em que os verdadeiros adoradores não vão procurar nem Jerusalém nem Garizim. O que o meu Pai deseja são adoradores em espírito e verdade[1].

Estaria Jesus a negar valor a todos os rituais do culto? Não é Deus que precisa do culto e dos seus rituais, mas os seres humanos. Ele não precisa que o informemos do que se passa connosco e na sociedade. A oração não modifica a sua santa vontade, modifica-nos a nós. Acorda-nos da indiferença perante o sentido mais profundo da vida. Podemos tentar comover a Deus com os nossos pedidos, mas é o próprio Deus que se comove pelo eterno amor que nos tem. Nós é que não podemos deixar de ser quem somos: seres que, para viver na verdade, reconhecem o seu limite e pedem socorro.

As celebrações litúrgicas católicas estão distribuídas em dois ciclos fundamentais: o do Natal e o da Páscoa. Ao resto chamam-lhe Tempo Comum. Estes arranjos dos liturgistas têm bases bíblicas e uma longa história. São uma forma de organizar a oração oficial da Igreja. Seria ridículo pensar que foi Deus que compôs e impôs esta organização ritual. A verdadeira Igreja, a não confundir com a hierarquia eclesiástica, é o voluntariado do Evangelho. Precisa de rezar para não se descuidar de Deus e do mundo. Uma liturgia sem o imperativo do serviço aos mais necessitados, sem a negação do autoritarismo eclesiástico, isto é, sem a simbólica do lava-pés[2], está condenada a ser nada.

Estamos na oitava da Páscoa, mas as celebrações pascais vão até ao Pentecostes.

Somos irremediavelmente fruto de um tempo, de um lugar, de uma memória e de circunstâncias muito furtuitas. Não estamos, porém, condenados a viver apenas dentro dessas coordenadas. O ser humano é, por essência, possibilidade de entrar em contacto com outras geografias humanas e culturais. Os animais aparecem feitos. O ser humano tem a vida inteira para se fazer, nunca está acabado. Não é, vai sendo. Por outro lado, é capaz de autoconsciência, de linguagem e de sentido. Mas a sua linguagem não é só a do quotidiano ou das ciências. É também a voz de uma interioridade que se exprime através da literatura, da música e de todas as artes. A linguagem simbólica, metafórica, mítica, parabólica não explica. É a forma de exprimir o que não cabe em nenhuma explicação. Sugere o indizível e o infigurável.  

Como ser de relação, os delírios nacionalistas não têm em conta o sentido relativo da história e da cultura. Não podemos viver como um povo eleito ou como um povo condenado. Perder o sentido do relativo da nossa história e da nossa cultura – que não se confunde com o relativismo em que tudo se equivale – é cair na tentação de, falsamente, as absolutizar.

2. I. Kant viu muito bem que a pergunta das perguntas, a que é preciso responder, está condensada numa só: o que é o homem, isto é, o que é o ser humano?

Não é possível responder a essa pergunta sem ter em conta a sua dimensão religiosa. Como diria Fernando Pessoa, o grande mistério é o próprio mistério de existir, que não é algo de provisório que se possa vencer pela ciência ou pela técnica.

Recorrer à palavra mistério por tudo e por nada, é uma forma de preguiçosa ignorância. Existem, de facto, muitas realidades que pareciam um mistério e que, hoje, estão ao alcance de explicações científicas e de realizações tecnológicas. As ciências humanas têm de trabalhar – e cada vez mais – pelo que nos é possível conhecer. Outra coisa é a experiência do inabarcável por qualquer conceito. A experiência do insondável da inteligência e do afecto não é a de uma zona ainda por explorar, mas a da consciência de que não há explicação para as coisas mais simples, para as realidades que não têm porquê. Não há explicação para um poema. Todas as explicações ficam aquém desse milagre de juntar palavras que produzem uma sensação do inefável. A vida simbólica não explica, sugere o que não estava previsto nas estrelas.

3. A morte é o que há de mais fácil de explicar para as ciências da saúde. A palavra defunto é de um miserável latim: “deixou de funcionar”! É uma concepção absolutamente mecanicista do ser humano. As pessoas que fizeram a experiência da morte daqueles que amam não se consolam com uma ausência indesejada. Querer abolir a megalomania do desejo matando o desejo de viver é uma desistência muito pouco humana.

As religiões, quando não enlouquecem – como        aconteceu no massacre desta Páscoa – são uma saudável reacção contra o fatalismo e o niilismo, mas a cedência ao ritualismo deixa a alma inconsolável.

S. Paulo não argumenta a Ressurreição de Cristo como privilégio de Jesus de Nazaré[3]. Pelo contrário, argumentou a partir da ressurreição geral. Para Paulo, não pode haver os esquecidos da ressurreição.

A questão da vida depois da morte é comum a muitas religiões. A expressão “ressurreição” não é a descrição de um fenómeno. É a verificação de um facto. Jesus foi morto e umas mulheres testemunham que ele está vivo e que ele continua connosco.

O iaveísmo sapiencial, ao contrário do nacionalista, é universal: Deus é criador de tudo e de todos, não é apenas o Deus de um povo. Para os que acreditam que a vida humana não acaba com a morte, não pode ser o privilégio de um grupo, de alguns santos, de algumas pessoas excepcionais. Deus não pode abandonar na morte aqueles que ama.

É esta a originalidade da revelação de Jesus de Nazaré, personalidade situada nos limites de um tempo e de um lugar. Não está centrada em si mesma, está polarizada por um Deus que não é propriedade de nenhum povo nem de nenhuma religião. É o Deus que tem, no seu coração, todos os seres humanos e para sempre. Foi esta revelação que comoveu o próprio Jesus e que ele classificou como fonte da nossa verdadeira alegria[4].

Quando fazemos da ressurreição de Cristo um privilégio, esquecemos que ele é o irmão universal. Onde estão os que morreram, aqueles de quem ninguém se lembra? Não estão esquecidos. Confessamos, contra toda a evidência empírica, mas com a mais pura fé e confiança, com a maior fidelidade à vida, que vivem no coração de Deus. Um Deus que se esquecesse das suas criaturas não merecia um minuto de atenção[5].



28. Abril. 2019



[1] Cf Jo 4, 21-24
[2] Jo 13, 2-20
[3] I Cor 15,13
[4] Lc 10, 17-22
[5] Sobre a questão da morte e da ressurreição ver o magnífico texto de Anselmo Borges, no DN de 20.04.2019.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Façam favor de tolerar - Artur Soares - DM

1– Acredito que a inveja é um dos grandes pecados
do Homem. Nunca como nos tempos
actuais se lê, se ouve e se conhece em qualquer
parte, os resultados da inveja. Em todos
os sectores, a inveja sente-se e são conhecidos
actos que só ao Diabo agradam. Portugal, naturalmente,
também tem comportamentos de inveja.
Enquanto que a Doutrina Social da Igreja apresenta
normas com mais de um século de existência,
a defender a dignidade do Homem, como justos
salários, horários de trabalho justos e que nada
prejudique as Famílias, seus convívios, etc., verificamos
que nestes últimos 50 anos da vida dos portugueses,
tudo se tem alterado, tudo se tem tornado
em vida selvagem.
Não há horários de trabalho decentes: trabalham-
-se 24 horas por dia; não há feriados, dias santos ou
domingos, não há justos salários – pois uns recebem
500 euros mensais e outros recebem milhares
de euros na mesma empresa pública ou privada
– não há respeito, promoções profissionais e muito
mais se podia afirmar.
Todavia, temos de ser claros: o Partido Socialista,
defensor da democracia democrática, dos trabalhadores,
das côdeas rapaceadas de milhares de pensionistas,
conseguiu, no que respeita à defesa das Famílias
– não todas as Famílias, para já – ultrapassar os
ensinamentos da Doutrina Social da Igreja: enquanto
Esta se limita a afirmar que não se pode prejudicar
o amor e o convívio entre as Famílias com horários
de trabalho e vencimentos raquíticos, o Partido
Socialista coloca Famílias ao serviço da Nação, com
ordenados justíssimos, para que o convívio e o amor
se não percam entre eles! O maior feito das Famílias
ao serviço da Pátria-Querida, pelo Partido Socialista,
é o caso de Carlos César, que é ele no Governo e
mais quatro familiares!
Mas o Povo é ingrato, inculto e tantos intelectuais,
filósofos e jornalistas, o que têm é inveja. São salafrários
ou rapaces das competências e daqueles que defendem
o amor e a convivência familiar. É evidente
que outros Partidos também nomearam familiares,
mas os Socialistas, mais sensíveis, mais progressistas
que os ensinamentos da Santa Madre Igreja, metem-
-Na no bolso: já que os familiares não se amam em
casa, amam-se no Governo, nos corredores ministeriais
e nas Autarquias Locais. Assim, caros eleitores,
compreendam o assunto e façam favor de tolerar!
2 – Sua Excelência o Primeiro Ministro de Portugal,
António Costa, teve há dias uma afirmação de
político verdadeiramente adivinho, subtil, em que
colocou toda a sua experiência e saber político, quando
disse ao Povo português: “cuidado, povo do meu
País: o PSD quer usar as europeias para tomar de assalto
o poder”! Claro está, que António Costa prevê,
bem previsto, que o Partido rival, é muito capaz de
ganhar as europeias. É que só anjolas ou incultos não
sabem que o País não está como António Costa e o
ministro das finanças o pintam. Estamos na crise, nadamos
na crise e respiramos crise. Com tanta vilanagem,
incertezas e medos sentidos, o PSD poderá tornar-
se coveiro da política socialista/ageringonçada.
“Assalto ao poder”, pretende o PSD, diz Costa. Mas,
Excelência, Rui Rio não destronou companheiros
seus em eleições primárias, como o fez com António
José Seguro. Nenhum político, em Portugal, que tenha
ganho as eleições legislativas, destronou o vencedor,
como Sua Excelência o fez, destronando Passos
Coelho, que ganhou as eleições em 2015. Assalto
ao poder pelo PSD? Não. Esta Excelência Costa, quer
dentro do seu Partido, quer no resultado das eleições
de 2015, fez rigorosamente o “assalto ao poder”
com a ajuda de leninistas e trotskistas. Assim, caros
eleitores, façam favor de tolerar!
3 – O ex-ministro socialista, Alberto Martins, foi
em 1969, um dos líderes da “crise académica de Coimbra”.
Nesse tempo de lutas pró-democracia, o presidente
da República Américo Tomaz, em Coimbra,
ao iniciar um discurso, foi de imediato interrompido
por indivíduos, com Alberto Martins à cabeça,
pois queriam discursar. De imediato foram presos,
embora no dia seguinte soltos. Há dias, Alberto
Martins foi homenageado no jantar do 46.º aniversário
do PS e, no momento do discurso de António
Costa, este, foi interrompido por dois elementos estranhos
ao aniversário, porque pretendiam discursar.
Os seguranças garrotearam-nos, enxotaram-nos
e diz-se que levaram umas lambadas. Alberto Martins,
que conta no seu livro – Peço a Palavra-Coimbra
– conta a sua história com Américo Tomaz, de
ter querido discursar e ter sido garroteado. Que pensará
Martins, desta cena discursiva de António Costa
e da de Américo Tomaz? Cena de agora, igual há
de 50 anos! Uma, em plena ditadura/fascista, a outra,
em democracia democrática socialista. Repito
caros eleitores: façam favor de tolerar!

VINHO OU LIMONADA? - Isabel V Costa - DM

Quem já foi à Terra Santa em tempo quente
agradeceu certamente as limonadas que o
esperavam à chegada aos hotéis e lojas. É
provável que o calor também apertasse no
tempo de Jesus e que os limões também por
lá existissem, assim como o mel. Faltavam
os frigoríficos, mas não as limonadas, imaginamos nós.
Chamou-nos a atenção o facto de Jesus, nas bodas
de Caná, ter convertido a água em vinho e não em limonada,
ou qualquer outra bebida refrescante, tanto
mais que o vinho causa alegria, sim, mas também pode
levar a muitos dissabores, se bebido em grandes quantidades.
Qual a razão, ou razões, para Jesus ter optado
pelo vinho, e de grande qualidade?
A primeira razão que nos vem à mente é: o que fazia
falta era o vinho, não limonada. A segunda é bem
mais profunda: na vida de qualquer homem a dor e
a alegria, o mal e o bem, estão sempre presentes embora
não se note; no matrimónio também isso acontece.
A enorme alegria de gerar um filho vem acompanhada
da dor do parto. Vinho e sangue.
Sim, é vinho que Cristo nos oferece na Última Ceia,
mas converte-o no Seu sangue, para que o bebamos e
possamos assim chegar à plena alegria, a de alcançar o
Céu. “Tomai; isto é o Meu corpo que vai ser dado por
vós; fazei isto em Minha memória… fez o mesmo com
o cálice, dizendo: Este cálice é a nova Aliança no Meu
sangue, que por vós se vai derramar.” (Lc. 22, 19-20).
Em pleno tempo pascal, pouco após a leitura do
“Diagnóstico do Papa Bento XVI Sobre a Crise da Igreja
e dos Abusos Sexuais”, é flagrante, sobretudo na terceira
parte do documento, a ligação entre os dois sacramentos:
Matrimónio e Eucaristia. Com a Eucaristia, e
a comunhão sacramental recebida em estado de graça1
é possível a santidade no matrimónio. O sofrimento
– sangue e suor – que acompanha a vida humana
torna-se em gozo e alegria, nesta vida e na vida eterna.
Recordemos que em cada Missa se renova a Paixão
e Morte de Cristo, momento em que o Filho se entrega
ao Pai para salvar todos os homens, até mesmo os
que o estavam a crucificar: “Perdoa-lhes, ó Pai, porque
não sabem o que fazem!” (Lc. 23, 34). Mas também se
vive a memória da sua Ressurreição. A vitória de Jesus
sobre a morte, manifesta a vitória de Deus sobre
o demónio; isto é, a vitória da graça sobre o pecado; a
vitória do amor sobre o ódio.
Por isso, o sacramento do matrimónio, também nascido
do lado aberto de Cristo, concede aos cônjuges a
graça de se amarem ao ponto de darem a vida um pelo
outro e ambos pelos filhos. O vinho da entrega e da
alegria, não a limonada, não deve faltar em cada boda.
1 Estado de graça significa que não se cometeu nenhum
pecado mortal desde a última confissão, não olvidando
que é aconselhável confessar-se e comungar
com regularidade, no mínimo uma vez por ano, pela
Páscoa. Menos que isto é uma manifestação de desprezo
pelos sacramentos que Jesus nos deixou e, por
isso, pecado grave. Estando em estado de graça, não
é necessário confessar-se antes de cada comunhão.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

SEMANA SANTA? QUE TENHO EU A VER COM ISSO? Frei Bento Domingues, O.P.


1. Creio que toda a gente tem muito a ver com a Semana Santa. Explico: os católicos fervorosos podem lamentar que, num país onde a maioria da população se exprime como católica (cerca de 80%), aproveite o Natal, a Páscoa, os Domingos e festas de santos para descanso, desporto, viagens, segundo as possibilidades económicas de cada um, e muito pouco para celebrar e aprofundar o conhecimento da sua própria fé.

Esses católicos só têm razão até certo ponto. Não esqueçamos que o Novo Testamento estabeleceu uma grande polémica em torno da prática judaica sacralizada do sábado. Uma das narrativas míticas da criação está organizada para que, no sétimo dia, até Deus descanse[1]. Não podia haver táctica melhor do que esta: colocar o seu Deus como exemplo do que todos os crentes deviam cumprir. Se os textos do Novo Testamento são tão duros com essa sacralização, não era por causa de serem dias de descanso e oração. O que levou o judeu, Jesus de Nazaré, a provocar os seus concidadãos, fazendo o que estava proibido ao sábado, não era por desprezo do dia consagrado ao descanso, mas por terem transformado, numa prisão, um marco civilizacional da liberdade.

O ser humano não pode ser um escravo do trabalho. Há muitas outras dimensões da vida que é preciso atender e às quais é preciso dar oportunidades. Não esqueçamos que o projecto de Jesus surge como projecto de libertação, sobretudo dos doentes, dos pobres e das mulheres que não contavam para nada na sociedade do seu tempo.

Essa actividade de Jesus tinha, também, uma motivação teológica: o sábado não podia ser o dia de tolher a vida humana e as expressões da sua liberdade. Se era o dia de Deus, tinha de ser o melhor dia do ser humano, a festa da humanidade. Deus não podia tolerar que, em seu nome, se impedisse a alegria.

Se Jesus escolhia, sobretudo, esse dia e a Sinagoga para as curas, não era para aborrecer os judeus mais ortodoxos e ritualistas. Era para que esse dia, ao fazer bem aos seres humanos, revelasse o que era a verdadeira glória de Deus, o seu autêntico louvor.

Os fariseus insistiam em dizer que Jesus não podia ser um homem de Deus, pois não observava o sábado. O Quarto Evangelho, dito de S. João, vai ao ponto de colocar na boca do Nazareno algo de terrível, de blasfemo: o meu Pai trabalha sempre e eu também[2]. O texto acrescenta: por isto os judeus ainda mais o procuravam matar porque não só anulava o sábado, mas até se atrevia a chamar a Deus seu próprio pai, fazendo-se, assim, igual a Deus. Em S. Marcos, declara o sentido antropológico desta instituição religiosa: o sábado foi feito para o ser humano e não o ser humano para o sábado[3]. Deus é glorificado na alegria das suas criaturas.

A chamada Semana Santa é a transformação de uma semana criminosa, assassina, no testemunho maior da existência humana: Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem. Jesus, ao pedir vida para os que lhe davam a morte, ressuscitou-os na sua própria alma.

2. António Marujo[4] fez uma magnífica reportagem sobre alguns assuntos debatidos no Terra Justa – Encontro Internacional de Causas e Valores da Humanidade –, em Fafe (3-6 de Abril.2019), destacando a campanha pelo domingo livre de trabalho e pela saúde como direito humano.

A presidente do Movimento Mundial de Trabalhadores Cristãos (MMTC), Fátima Almeida, defendeu que é preciso voltar a fazer campanha pelo domingo livre, para trabalhos e serviços que não são necessários nesse dia. Não se trata de fazer isso por causa da missa, mas “pelo encontro, pela família e os amigos, para dedicar tempo à cultura, à vida para além do trabalho, como diz o Papa”.

Ao dizer isto, não é contra a missa, mas para destacar o valor humano de uma festa religiosa para religiosos e não religiosos. A verdadeira religião não abafa, pelo contrário, expande a vida e os verdadeiros valores de todos. Na interpretação cristã, é desta forma que se dá glória a Deus.

Como já dissemos, o projecto de Jesus implicava a libertação da doença, o dom da saúde para todos. Ora, neste encontro, o dia 5, tinha sido dedicado à homenagem ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), através de dois dos seus rostos mais importantes: António Arnaut, que o criou há 40 anos e morreu em 2018, e Francisco George que, enquanto director-geral de Saúde, foi um dos seus principais responsáveis nestes 40 anos. Hoje, tudo mudou e as estatísticas colocaram Portugal entre os 12 melhores do mundo nos cuidados de saúde, mas o sistema sofre as dores do crescimento. Numa das Conversas, Francisco George destacou: “É preciso reduzir desigualdades, mas a principal desigualdade e o risco mais importante no acesso à saúde é a pobreza. Estamos muito melhor do que em 1974, mas é preciso distribuir melhor”.

3. Com a exaltação do valor humano da religião autêntica e do alcance divino dos valores verdadeiramente humanos não se está a desvalorizar as expressões simbólicas e rituais das religiões. O que se pretende é que estas não estraguem o que pretendem e devem defender. As instituições religiosas não são por causa da religião, mas por causa de certas dimensões da vida humana que o quotidiano tende a esquecer. Voltamos à sentença de Cristo: o sábado foi feito para o ser humano e não o ser humano para o sábado.

Uma das grandes tarefas das lideranças da Igreja – bispos, párocos e congregações religiosas – consiste em ajudar as pessoas a perceber o que perdem se não aprofundarem o sentido das celebrações da fé e o que ganham quando são fiéis ao seu espírito e finalidade.

Não adianta muito insistir no que está mandado ou proibido, quanto a práticas religiosas. Importa que se tornem apetecíveis pela sua beleza e sobriedade. Que falem à sensibilidade, ao coração e à inteligência. Que nos comovam.

Quanto à Semana Santa, existem vários tipos de recuperação das tradições e da qualidade das celebrações marcadas pelas exigências do Vaticano II. O turismo religioso explora tradições. A liturgia viva procura uma linguagem de beleza que mostre a urgência de nascer de novo[5]. Só podemos saber se celebramos a Páscoa, se crescer em nós a vontade de servir aqueles que precisam da nossa dedicação: sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos[6].



14. Abril. 2019



[1] Gn 2, 1-3
[2] Jo 5, 1-17
[3] Mc 2, 27-28
[4] 7Margens (jornal online), 07.Abril.2019
[5] Jo 3
[6] 1Jo 3, 14