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sexta-feira, 26 de julho de 2019

A felicidade está mais em dar do que em receber!

Ao concluir-se a Vª etapa do projeto “Por mares dantes navegados” que nos levou, em dois grupos de 12 participantes cada, à missão de São José do Gungo, na diocese do Sumbe, Angola, recordo, com emoção e gratidão, as palavras de São Paulo, quando se despedia dos anciãos de Éfeso: «Em tudo vos demonstrei que deveis trabalhar assim, para socorrerdes os fracos, recordando-vos das palavras que o próprio Senhor Jesus disse: ‘A felicidade está mais em dar do que em receber’» (Act 20,35).
No contexto dos Actos dos Apóstolos, ‘fracos’ são os pobres e os economicamente débeis, expressão adequada para caracterizar as populações das montanhas do Gungo, campo de trabalho pastoral e humanitária da missão Ondjoyetu, fruto de uma geminação entre as dioceses de Leiria-Fátima e do Sumbe.
A missão de São José do Gungo serve uma comunidade de aproximadamente 34 mil pessoas, dispersa pelas montanhas, em cerca de 80 aldeias, numa área de 2100 km2, maior que o território da diocese de Leiria-Fátima, com uma extensão máxima de 82 Km. Para fazer o caminho que vai do Sumbe à sede da missão, na Donga, uma distância de 130 km, são necessárias, pelo menos, 8 a 9 horas (seis e meia das quais para percorrer 50 km de picada)!
E dava por mim a contemplar a beleza daquelas paisagens e a simplicidade acolhedora daquele povo… e uma pergunta me trazia de volta ao seu quotidiano: quanto trabalho e dedicação, quantos obstáculos e resistências se tiveram de vencer para chegar aos limites da província do Cuanza Sul, entrar em relação com aquele povo para acolher e ser acolhido, e começar a fazer caminho com ele no meio das suas dificuldades e carências, mas também das suas alegrias e esperanças, fazendo-lhe sentir e acreditar que a boa e feliz notícia de Nosso Senhor Jesus Cristo é para eles e que eles mesmos são seus destinatários principais e protagonistas da sua Mensagem! É certo que a Missão é anterior à Independência e que, com a guerra, tudo se complicou…
Mas partir, nos anos noventa, com desejo de servir o Reino de Deus, ser conduzido àquelas paragens e aceitar as suas exigências, diz-nos da seriedade e radicalidade da entrega e da disponibilidade para servir em todas as circunstâncias… Ali, de pouco ou nada vale o gosto por actividades radicais, tão ao jeito da nossa cultura ocidental: os desafios daquele trabalho pastoral assumem outras proporções, pois não são a prazo nem têm horários, para depois se regressar à “zona de conforto”.
Para trabalhar em tais condições não chegam voluntarismos e entusiasmos de momento ou de curta duração, são necessárias razões mais profundas! Só homens e mulheres tocados pelo Evangelho de Jesus poderão fazer suas as fragilidades daquele povo e, na simplicidade e entrega à causa do Reino, criar empatia com as pessoas, suscitar e entrar em relação com aquela ‘juventude de diversas idades’ para os servir na multiplicidade das suas carências e potenciar o seu crescimento humano e cristão.
A missão tem cerca de 80 aldeias; em 65 delas há centro de culto e quase todos têm oração comunitária diária; destes, mais de metade tem celebração dominical sem padre. Os centros de culto estão, por sua vez, organizados em 11 zonas pastorais, com os respectivos catequistas gerais e adjuntos e mais 45 catequistas locais.
Pelo trabalho pastoral ali desenvolvido, primeiro pelo P. Vítor Mira e agora pelo P. David Nogueira, acompanhados por muitas e muitos missionários, dou graças a Deus e peço a Maria que os proteja e conduza nos caminhos da Missão.
P. Armindo Janeiro
Missão do Gungo, Sumbe, Angola 2019

sábado, 6 de julho de 2019

UASP em missão no Sumbe, Angola -

Parte para a Angola, na próxima segunda-feira, 8 de Julho, um segundo grupo de dez missionários, no âmbito do projecto da União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses “Por dantes navegados” – Vª Etapa, e que terá, como ponto central, a Missão do Gungo, fruto de uma geminação entre as dioceses de Leiria-Fátima e do Sumbe.
Tal como a origem do projecto “Por mares dantes navegados” foi marcada pela proclamação do Ano da Fé (Bento XVI), também esta etapa está a desenvolver-se sob o espírito do Mês e do Ano Missionários, proclamados pelo Papa Francisco e pela Conferência Episcopal Portuguesa, respectivamente, com o intuito de “renovar o compromisso missionário da Igreja”.
Francisco, na mensagem para o Dia Mundial das Missões (20/10/2019), convida-nos a “reencontrar o sentido missionário da nossa adesão de fé a Jesus Cristo, fé recebida como dom gratuito no Baptismo”. Da fé – recorda-nos o Papa – “nasce uma vida nova partilhada com muitos outros irmãos e irmãs. E esta vida divina não é um produto para vender – não fazemos proselitismo –, mas uma riqueza para dar, comunicar, anunciar: eis o sentido da missão”.
É este o sentir e o espírito que presidiu e preside à organização, preparação e realização de cada uma das etapas deste Projecto que já nos levou ao contacto com as comunidades das dioceses de Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Madeira e agora Sumbe, em Angola. Vamos viver o dia a dia da Missão do Gungo, na cidade e nas montanhas!
Com uma duração de treze dias, participaremos nos diversos trabalhos da Missão, executando algumas tarefas de apoio à comunidade, e visitaremos locais de maior interesse histórico e religioso, ambiental e paisagístico.
A todas as pessoas e instituições que nos ajudaram a preparar esta viagem missionária e a angariar bens e valores para a partilha, o nosso bem-haja!
P. Armindo Janeiro
Presidente da Direcção

quinta-feira, 28 de março de 2019

ASSEMBLEIA GERAL DA UASP - LEIRIA


No passado dia 23 do corrente mês de Março realizou-se em Leiria no convento dos franciscanos a assembleia geral da UAASP para aprovação das contas relativas ao ano de 2018. Quase todas a associadas estiveram presentes. A nossa associação, secretário da mesa da assembleia geral, esteve representada por António Pinheiro. Para mais informações ler:
Para avaliar, discutir e aprovar as ações que a UASP (União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses) realizou durante o seu exercício de 2018, a sua Direção convocou as Associadas para que, no dia 23 do corrente mês de Março, às dez horas, na cidade de Leiria, no Convento de S. Francisco da Portela, o fizessem em tranquilidade sob os olhares de umas paredes que tanta Paz irradiam e tanto ouviram ensinar a fazer o Bem, o lema de vida de todas as comunidades que tentam imitar S. Francisco (continua). VER MAIS
 
www.uasp.pt | Faceboock.com/uasp





sábado, 2 de fevereiro de 2019

À Laia de Testemunho, por Helena Babo- UAASP em Angola


Para mim não chegaram a 10 dias, mas foram de uma intensidade esmagadora.
Um pais onde nasci, mas que nunca conheci e que tive agora a oportunidade de percorrer no que tem de mais perdido e esquecido.

Um pais, uma região onde o Governo aparentemente se demitiu de todas as suas funções e onde homens e mulheres com pouco mais do que a sua vontade tentam de alguma forma substitui-lo, suprimindo algumas necessidades fundamentais de um povo.

Uma missão onde fomos convidados a experimentar as condições em que trabalham os Missionários, partilhando alojamento e alimentação em iguais condições, bem como os pequenos trabalhos em que participámos, ajudando na preparação da população que acorreu para participar em pequenas formações, nas consultas, nos trabalhos diários, nas costuras, nas pequenas reparações e novas construções, etc.

Ainda o contacto com as populações de hábitos tão diferentes, muitos consequência de anos de guerra e esquecimento, mas, quem sabe, talvez felizes nas suas formas de vida.

Com a certeza que muito ficou por fazer e que mais teríamos para dar perante tamanha carência de meios, de estudos, de expectativas.

Este é o meu testemunho:

O acesso à água potável: A água, de qualidade duvidosa tem que ser fervida ou tratada e é maioritariamente transportada pelas mulheres em alguidares à cabeça.

O acesso aos cuidados de saúde: as consultas são realizadas pelas missionárias cuja formação é feita de muita experiência e boa vontade e a maioria dos medicamentos são os básicos paracetamol e ibuprofeno.

A habitação: pequenas casas de pau a pique e de um só compartimento, revestido de adobe e telhados de colme ou chapa de zinco, contemplam espaço para algumas enxergas, normalmente incorporadas na estrutura da casa. As cozinhas feitas no exterior recorrendo à mesma técnica, muitas sem parede de adobe.

A recolha do lixo: inexistente. O lixo acumula-se a céu aberto trazendo às povoações maiores um cheiro nauseabundo.

O acesso à alimentação: alimentam-se essencialmente de Funje. Na beira da estrada encontram-se inúmeras bancas de venda de fruta e legumes, peixe seco e carvão. A fruta é deliciosa. Na cidade há um mercado grande onde se podem encontrar também as famosas capulanas, roupa de mulher.

O acesso à educação: as escolas são edifícios iguais às habitações com troncos no chão que servem de bancos corridos. Os professores são escassos e com pouca formação, mas mesmo assim muitas crianças, que são às centenas, não têm escola por falta de professores.

Os acessos às povoações e lugares mais recônditos: o acesso às zonas mais recônditas é feito por picadas difíceis com dispêndio de muitas horas nas viagens. Nós levámos mais de oito horas a percorrer cerca de 130 km. As paisagens enchem o olho e compensam muita coisa.

Ficou-nos o profundo respeito e admiração pelos missionários que, por mão da sua incansável vontade, vencem os caminhos quase inexistentes para dar alguma esperança e conforto a este povo.

Que procuram soluções para promover condições básicas, mas que representam o desenvolvimento e, acima de tudo, apontam o caminho.

Coisas simples, como uma cisterna de água, uma pequena moagem de milho para uso da população, uma pequena fábrica a construir os primeiros tijolos de terra comprimida.

E os planos futuros de captação e canalização de água para um ponto elevado que possa depois distribuir a mesma em várias direções, os projetos de regadio, os projetos de construção de edifícios com os novos tijolos, como uma igreja, uma escola, casas, etc.

E tem que ser a estes homens e mulheres que dedico este testemunho.

Ao Padre David, “cabecilha” atual e repetente desta obra, tem em mim uma irmã e pode contar sempre comigo, assim eu o consiga ajudar pois a minha divida é grande, foi o ombro amigo num dia difícil

À mana Teresa, pela paciência com que nos recebeu e a tudo tentou atender e resolver, ao trabalho titânico que tem prestado a este povo, o meu total reconhecimento e amizade.

À jovem Sílvia, companheira destes dias tão intensos, pelo espírito de interajuda e abertura para tudo aprender e absorver como uma pequena esponja que vai inchando, os votos de um futuro gordo em experiências e que te preencha e faça feliz e a minha amizade.

O meu profundo reconhecimento também para o Avô Filipe, homem que tanto sofreu, como tantos outros provavelmente, nesta longa vida e que sobreviveu para nos receber com o seu sorriso e a sua cozinha.

Ao Carlos, pai de família, pela sua vontade de ajudar e fazer o máximo possível antes do seu regresso.

Por fim às meninas da missão, votos de que consigam estudar e alcançar os seus sonhos e contribuir para o desenvolvimento do seu país, que é também um pouco meu. Delas e doutros como elas está dependente o caminho deste país.

Helena Cristina Babo

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

UASP em Missão!


Partiu hoje (14 de Janeiro) para Angola um primeiro grupo de “missionários”, composto por antigos alunos e outras pessoas interessadas, que tem como objectivo principal visitar a Missão que a diocese de Leiria-Fátima anima nas montanhas do Gungo, diocese do Sumbe.

Em ano especialmente dedicado à sensibilização e aprofundamento da consciência missionária da Igreja – pelo Baptismo, todos somos enviados em missão – a UASP visitará, em dois grupos (Janeiro e Julho), de doze pessoas cada, aquela Missão da diocese de Leiria-Fátima.

Fruto de uma geminação entre as duas Dioceses, neste momento, a Missão do Gungo tem ao seu serviço um padre da diocese de Leiria-Fátima (P. David Nogueira) e vários leigos.

Como aconteceu nas anteriores, também nesta etapa (é já a quinta do projecto “Por mares dantes navegados”) os participantes irão contactar com as comunidades locais, integrar-se nas dinâmicas propostas pela Missão, celebrar e partilhar a fé que nos une e reúne, tomar conhecimento das tradições culturais e espirituais locais e visitar os locais e espaços de maior interesse histórico e ambiental.

P. Armindo Janeiro