sexta-feira, 28 de abril de 2017

Combonianos 70 anos em Portugal: Os primeiros passos

Estava em Viseu um só comboniano italiano, o Pe. João Cotta, desde 22 de Abril de 1947. Com a chegada, a 3 de Novembro daquele ano, de mais três sacerdotes, os combonianos formaram a primeira comunidade em Viseu. Eram todos padres: João Cotta, Ézio Imoli, Ângelo La Salandra e Rino Carlesi.

Dias depois, o bispo senhor Dom José da Cruz Moreira Pinto nomeou-os para trabalhar nas paróquias de Mangualde (P.e Ezio Imoli), Bodiosa (P.e Rino Carlesi) e Canas de Sabugosa (P.e Ângelo La Salandra).

O P. Rino Carlesi, que viria a ser bispo de Balsas, no Brasil, descreveu as primeiras ações apostólicas na diocese de Viseu: «Conheci e fiz amizade com todos os padres de Viseu e redondezas, por causa dos funerais, da pregação, das festas religiosas. Foi o começo da minha vida de cigano, de animação missionária nas paróquias. Depois o senhor bispo levou-me, como seu missionário, para pregar ao povo nas visitas pastorais. Fui pescador de vocações e pregador de missões.»

Em Janeiro de 1948 o grupo alugou uma casa em Viseu e começa a arranjar-se a casa do caseiro.

O segundo grupo de combonianos italianos (um sacerdote e dois Irmãos construtores) veio em Março de 1948.

Passaram pelo Seminário Menor de Fornos de Algodres. No diário da viagem deixaram a seguinte impressão: «Ajoelhámo-nos aos pés da imagem de S. José, no claustro interno do Seminário sentindo tantos motivos para agradecer; pensámos nos nossos futuros seminaristas e agradecemos a S. José por nos ter trazido a esta terra tão rica de vocações.»

A 14 de março, na igreja matriz da paróquia de Ranhados (à qual pertencia a quinta onde se instalaram os combonianos), a chegada deste grupo foi celebrada festivamente com uma eucaristia. Os Combonianos cedo se inseriam na sua comunidade paroquial.

A 1 de junho de 1948 foi lançada a primeira pedra da casa (hoje «casa velha»), com técnicas muito avançadas. O edifício está pronto a habitar em 28 de Junho de 1949. Menos de dois meses depois, a 14 de Agosto, é inaugurada a primeira capela.

Nessa altura, a 27 de Fevereiro de 1949, o P.e João Cotta, que fizera «milagres», com o grande apoio do Bispo de Viseu, D. José da Cruz Moreira Pinto, nos 22 meses em que nesta diocese permaneceu, de 23 de abril de 1947 a 27 de fevereiro de 1949, já havia partido para a Inglaterra.

Em Maio daquele ano, durante a Semana Nacional das Missões, são distribuídos pela diocese 250 cartazes que dão a conhecer o futuro Seminário das Missões e o Instituto Comboniano. Estavam decorridos dois anos cinco meses e dezassete dias depois da chegada do P. João Cotta a Viseu…

A 10 de Outubro daquele ano de 1949, e após uma semana de estágio em Setembro, iniciava-se o 1º ano letivo no Seminário das Missões com 16 alunos no primeiro ano e um no 5º ano, vindo do Seminário Diocesano.

Se no final de 1952 o Seminário atual já estava construído, só em 11 de Dezembro de 1955, ao terminar da nova Capela, foi considerado completo, oito anos sete meses e dezanove dias depois da chegada do primeiro comboniano a Viseu.

Os primeiros combonianos portugueses

Os primeiros sacerdotes combonianos portugueses, tinham passado pelo Seminário Diocesano.

O P. Rogério Artur de Sousa, natural de Sargaçais, Soito, Aguiar da Beira, que, depois de ter feito o seu noviciado e a teologia em Itália, foi ordenado pelo Senhor D. José da Cruz Moreira Pinto , na Igreja do Seminário das Missões em Viseu a 27 de Julho de 1958.

O P. Ramiro Loureira da Cruz, natural de Barbeita, Rio de Loba, Viseu, fez também o noviciado e teologia em Itália e foi ordenado sacerdote na Catedral de Milão pelo Cardeal Montini (futuro Beato Paulo VI) a 14 de Março de 1959.

O primeiro Irmão Missionário Comboniano Português foi o Irmão António Martins, natural de Cepões, Viseu, que fez a sua Profissão perpétua em VN de Famalicão a 9 de Setembro de 1960.

Ao longo destes 70 anos a diocese deu muitas vocações aos missionários combonianos.

Prof. Valente

domingo, 23 de abril de 2017

UMA HISTÓRIA SINGULAR - Apresentação

No próximo dia 4 de Maio vai ser apresentado em Lisboa,pelas 18.30, na sede da ALÉM-MAR, o livro da autoria do Pe. Manuel Augusto Lopes Ferreira sobre a história dos 70 anos da presença comboniana em Portugal com o sugestivo título " UMA HISTÓRIA SINGULAR".
Como bem se recordam, nós tivemos a dita de no encontro do ano passado ouvirmos um pouco do que nessa altura o Pe. Manuel Augusto já tinha escrito.
Nós fazemos parte dessa narrativa. Daí que seja um livro a termos connosco para ler e reler. O Pe. Manuel Augusto convida todos os que residem em Lisboa a estarem presentes no seu lançamento.
Não se esqueçam: dia 4 de Maio.
Trancrevo a carta onde o Pe. Manuel Augusto manifesta esse convite:

Estimado amigo Isidro,
Um abraço, com votos de feliz Páscoa e felicidades para si, sua esposa e família.
Venho pedir-lhe um favor.
No dia 4 de Maio, pelas 18.30, na sede da Além-Mar, vai ter lugar em Lisboa a apresentação do livro sobre a História dos Combonianos em Portugal (Combonianos em Portugal: Uma Historia Singular).
Eu gostaria de mandar um convite aos antigos alunos que vivem em Lisboa. Não poderia mandar-nos a lista dos AA residentes em Lisboa de que tenha os endereços email? Se for possível seria bom, senão paciência.
Desde já, o meu obrigado.
De novo, felicidades e até breve.
Pe Manuel Augusto

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Livro: A história dos 70 anos da presença comboniana em Portugal

"...Assim, revisitar a história da província portuguesa dos Missionários Combonianos do Coração de Jesus não é tão-pouco embandeirar em arco, pavonear-se no passeio das vaidades.

É celebrar o passado por inteiro, com as suas luzes e sombras, com a sua graça e pecado, com as conquistas e as derrotas para nos inspirarmos e ousarmos caminhos novos de animação missionária, pastoral vocacional de rosto comboniano e governo com a mesma audácia inovadora, generosa, alegre, inserida e próxima dos que nos precederam.

O meu muito bem-haja reconhecido ao P. Manuel Augusto Lopes Ferreira por ter aceitado o convite do Conselho Provincial para aprofundar e escrever a história dos 70 anos da presença comboniana em Portugal..."

terça-feira, 18 de abril de 2017

Assembleia Provincial das Irmãs Combonianas 18 de Abril de 2017

Viseu está na moda!!!!!
"A Assembleia Provincial das Irmãs Missionárias Combonianas Europa acontecerá de 20 a 23 de abril no Seminário das Missões, em Viseu.

Esperam-se cerca de 45 irmãs de várias nações europeias. Durante o encontro serãodiscutidas as Atas Capitulares do XX Capítulo Geral, realizado em Verona de 5 a 30 de setembro de 2016.

Pedimos aos amigos as vossas orações para que nos acompanhe neste evento."

domingo, 16 de abril de 2017

METAMORFOSES PASCAIS DO DESEJO (1) Frei Bento Domingues, O.P.


1. Os textos do Novo Testamento (NT) não foram encomendados ou ditados, relidos ou corrigidos por Jesus Cristo. Surgiram em comunidades cristãs, depois da sua morte, para mostrar que o processo que O vitimou não podia ser arquivado. A coligação das autoridades romanas e judaicas, ao contrário das aparências, sob a capa de um julgamento, de facto, tinham decretado o assassinato de um inocente em nome de Deus e do Império[1].

Os autores do NT, ao reabrirem o processo, não pretendiam rever uma questão jurídica do passado, mas testemunhar que estavam completamente enganados os que julgavam que o Nazareno e as suas propostas tinham uma pedra em cima, para sempre. Estava em curso, até ao fim dos tempos, a passagem agitada para uma nova era.

Era difícil o caminho da realização da esperança. Mesmo depois da ressurreição, até os discípulos mais chegados, continuavam a alimentar concepções messiânicas que Jesus tinha expressamente rejeitado durante a sua vida terrestre. O autor dos Actos dos Apóstolos começa a sua obra narrando esse distorcido desejo pré-pascal: Estando reunidos, perguntaram-lhe: «Senhor, é agora que vais restaurar a realeza em Israel?»[2]. 

Jesus não lhes reconheceu competência sobre essa questão. Precisavam de outra lucidez e de outra energia para enfrentar os novos tempos: recebereis uma força quando o Espírito Santo tiver chegado sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém e em toda a Judeia e Samaria, até ao fim da terra[3]. Os Actos dos Apóstolos desenharam um cenário  espantoso desse acontecimento: de repente, veio do céu um ruído semelhante a um vendaval, ficaram cheios do Espírito Santo, soltou-se-lhes a palavra e cada um os ouvia na sua língua materna.

 Ao espanto de uns respondia a chacota de outros: estão com os copos. Coube a Pedro explicar o que estava a acontecer e rematou o seu entusiasmado discurso com esta solene proclamação: Que toda a casa de Israel tenha a certeza de que esse Jesus que vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo[4].

Ao ouvirem isto, diz o texto, trespassou-se-lhes o coração e disseram a Pedro e aos demais Apóstolos: que devemos fazer? Precisavam de uma viragem completa mediante a conversão, banho de Espírito Santo em nome de Jesus Cristo e partida para a missão universal.

O profeta Joel já tinha escrito o poema para celebrar o que estava a acontecer: derramarei o meu Espírito sobre toda a carne. Os vossos filhos e as vossas filhas hão-de profetizar, os vossos jovens terão visões e os vossos velhos, com sonhos, sonharão[5].

2. A pergunta subjacente a tudo o que foi dito é esta: quem tinha razão? Jesus ou aqueles que o mataram?

Procurar, hoje, uma resposta a essa pergunta não é para resolver um problema de há dois mil anos. Com o rodar do tempo e usando as mesmas palavras podemos estar a falar de realidades opostas ou que perderam o impacto que já tiveram.

 Se Jesus foi morto em nome de Deus, da religião e dos interesses do Império, é óbvio que importa redescobrir qual era a concepção que Ele tinha de Deus, da religião e dos interesses do império. Não é uma operação fácil.

Os escritos do NT estão configurados por formulações teológicas, antropológicas e cristológicas muito diferentes. Nasceram de percursos de comunidades cristãs em contextos diversos. Temos de resistir à tentação de sistematizar ou enquadrar, numa visão unificadora, essas concepções. No entanto, na sua diversidade, nasceram da urgência de confrontar a vida pessoal e comunitária com as narrativas de experiências com Jesus Cristo, na convicção de que Ele está vivo e o seu Espírito, se for acolhido com fidelidade, suscitará atitudes criativas perante novas situações.    

Passada a primeira febre apocalíptica paulina – a de organizar e preparar os cristãos para o fim do mundo[6] – os textos destinam-se a preparar os discípulos, para enfrentar, com fidelidade, os novos desafios: acreditar e andar sem ver. Por isso, nunca poderão evitar a pergunta: Qual foi o percurso do Mestre?

3. Jesus levou muito tempo a encontrar o seu próprio caminho: teve de romper com o amigo mais admirado, João Baptista; com as concepções e expectativas messiânicas dominantes, expressas nas tentações que o assaltaram e nunca o largaram até ao último momento.

Não se dá o devido relevo à luta que teve de travar para romper com o caminho de João Baptista e sobretudo com as tentações messiânicas dominantes. Os quatro Evangelhos não são textos escolares, didácticos, professorais. São textos polémicos, precisamente, acerca da incompatibilidade entre as concepções e atitudes de Jesus, as dos discípulos e as dos adversários. Foram estas incompatibilidades que O levaram à cruz. Naquela sociedade sacral, a grande incompatibilidade nascia no seio da religião porque era ela que comandava tudo. Jesus não era um ateu, um agnóstico ou um sem religião. Aquilo que o enervava não era só a hipocrisia, que continuamente denunciou, mas verificar que o recurso às observâncias religiosas, ao nome de Deus e à sua vontade servia para classificar uns como santos e salvos e outros como pecadores e perdidos. Era uma luta teológica por causa de uma questão antropológica. Um Deus que é o consolo dos piedosos, dos ricos, dos poderosos e uma fonte de humilhação dos classificados como pecadores, por aqueles que estabeleciam as leis da santidade e as do castigo, era uma vergonha.

O caso permanente era a sua polémica com o Sábado, uma instituição civilizacional fantástica – o ser humano não é só para trabalhar –, mas que foi transformada no dia da opressão, em nome de Deus. A insistência de Jesus em violar o sábado parecia uma actuação provocatória: escolhia, precisamente esse dia, para fazer o que estava proibido. Tinha uma razão altamente teológica, coincidente com uma razão profundamente humana: o dia consagrado a Deus tinha de coincidir com o dia da libertação das vítimas da doença interpretada como possessão diabólica, fruto do pecado. Um Deus que não é a alegria da vida, não é Deus. É um ídolo criado para justificar a dominação económica, política e religiosa, como veremos.

Páscoa para os nossos desejos distorcidos.

16.04.2017





[1] Act 4, 27-28.
[2] Act 1, 6
[3] Act 1, 8
[4] Act 2, 36
[5] Act 2, 17-19
[6] 1Tes.4, 9-18

sábado, 15 de abril de 2017

Páscoa Feliz! - UASP

Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto (Jo 12,24)


A UASP deseja à suas Associadas, antigos alunos dos Seminários, seus familiares e amigos, uma Páscoa Feliz!


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quarta-feira, 12 de abril de 2017

UASP: IV Forum - Conclusões

(...) Fomentar a corresponsabilidade eclesial e a participação em projetos que procurem a dignidade humana e os valores evangélicos, é uma das obrigações da UASP (União das Associações dos Antigos Alunos dos Seminários Portugueses) que tão bem soube levar a cabo no passado dia 1, no Hotel São Nuno, um ótimo local para reflexão, que é também a atual casa-mãe dos Carmelitas da Antiga Observância em Portugal (continua).



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