terça-feira, 31 de outubro de 2017

Pe. DANIELE MOSCHETTI - Testemunho

«Os missionários costumam contar a sua vida, passada principalmente na periferia e ao lado dos pobres»... «Assim é o testemunho do padre Daniele Moschetti, missionário comboniano — continuou o Papa Bergoglio na introdução do livro «Sud Sudan. Il lungo e sofferto cammino verso pace giustizia e dignità» (Viareggio, Dissensi, 2017, 250 páginas)....

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Um padre foi assassinado no Quénia 24 de Outubro de 2017

Um sacerdote foi assassinado no Condado de Muhoroni, distante 30 km do convento onde residia. O padre Evans Juma Oduor foi encontrado com vida e levado ao hospital, mas faleceu uma hora depois devido aos graves ferimentos que tinha na cabeça.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

UM LIVRO INDISPENSÁVEL Frei Bento Domingues, O.P.


1. Que livro é esse que me leva a dizer que é mesmo indispensável? Se tenho de confessar que foi essa a convicção que a sua leitura me impôs, sei que o espaço desta crónica não é o mais adequado para a justificar. A verdade é esta: ajudou-me a diminuir ignorâncias que talvez não sejam só minhas; ofereceu-me o conhecimento de alguns percursos da Bioética que ajudam a vencer a ideia de que perante questões tão complexas, o mais razoável seria deixá-las no segredo dos especialistas.  

O título, que enche a capa dessa obra, revela, sem ambiguidades, o seu conteúdo: Eutanásia, Suicídio Ajudado, Barrigas de Aluguer. Destina-se a possibilitar um debate de cidadãos, esclarecido e fecundo.

O autor, Miguel Oliveira da Silva, é Professor Catedrático de Ética Médica na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Foi, entre 2009 e 2015, o primeiro Presidente eleito do Conselho Nacional para as Ciências da Vida. Integra, por eleição, o Bureau da DH-Bioética do Conselho da Europa.

No passado dia 9, a obra foi apresentada, na Casa Museu Fundação Medeiros e Almeida, por José Barata-Moura e Anselmo Borges.

Ficou claro que as questões abordadas neste livro não deveriam deixar ninguém indiferente. Têm a ver com a dignidade humana de todos os cidadãos, do presente e do futuro. Vivemos num mundo global, mas que também parece cada vez mais fragmentado e não se prevê que se vá tornar mais estável.

Como reza um velho aforismo, o que a todos diz respeito deve ser tratado por todos. Segundo S. Tomás de Aquino, a virtude da prudência política – condição para intervir de forma esclarecida nas orientações e decisões da comunidade - não é uma exigência exclusiva de legisladores e governantes. É indispensável a todos os cidadãos.

Se a cultura activa das virtudes torna bons os seus praticantes e boas as suas acções, sem ela até as leis mais justas perdem vigor e eficácia na sua aplicação.

Para serem virtuosas, as opções e decisões políticas não podem dispensar o recurso a estudos adequados. Segundo o citado autor, o estudo, além de todas as experiências e dados recebidos dos investigadores, professores e educadores, exige sempre uma veemente aplicação da mente. Sem esse esforço não se consegue verdadeira autonomia pessoal. 

Não se deve confundir ética e política. Não esqueço, porém, que a política é uma ciência prática cujo objecto é o agir, algo complexo e mutável. A decisão prudencial ganha em associar a ética da convicção e a da responsabilidade, isto é, tem de saber calcular os riscos e as consequências das opções. As melhores intenções, sem políticas bem preparadas e executadas, alimentam as piores asneiras.

Tornou-se um hábito dizer mal da política e dos políticos, sobretudo dos que não são da nossa cor. Mas esquecer que nos pertence alterar rumos e métodos da prática política é uma forma de masoquismo. Um dos frequentes incitamentos do Papa Francisco aos cristãos incide, precisamente, sobre a importância da cura da intervenção política para que esta não seja guiada pelos interesses do Dinheiro que geram a economia que mata crianças e adultos e provoca os criminosos negócios das guerras, desgraça dos povos.

2. Na contra capa desde livro de Miguel Oliveira da Silva está escrita a sua motivação. Perante o alargamento de direitos individuais nos extremos da vida humana, somos responsáveis pelo modo como o Estado assegura ou não a protecção dos mais vulneráveis: os jovens produtos de tecnologias genéticas e reprodutivas e as pessoas humanas em sofrimento intolerável que reclamam querer morrer.

Como ser equitativo no acesso a estas tecnologias e qual é, aqui, a relação entre o Serviço Nacional de Saúde e o sector privado? Quando e como têm os pais a obrigação de assegurar que os seus filhos possam conhecer a verdade sobre a sua história biológica: quem lhes deu o esperma ou o óvulo, qual a mulher que os gerou e pariu, quantos meios-irmãos poderá ter?

O parecer dos peritos deve servir para pôr as pessoas a pensar, debater, informar, cogitar para não ser uma perfeita trivialidade.

Um debate sobre uma questão ética nunca está completamente encerrado. Por vezes, e ainda que de outro modo, há que retomar, periódica e recorrentemente, as mesmas interrogações e dúvidas. As leis bioéticas não podem prever todos os casos, todas as situações concretas, sobretudo quando se trata de novas tecnologias reprodutivas e genéticas que podem obrigar a uma reapreciação e eventual mudança legislativa[1].

3. É absolutamente impossível tentar resumir o conteúdo dos diferentes capítulos ou temas desta obra, embora fosse a melhor maneira de apresentar as razões que me levam a chamar-lhe um livro indispensável. Indispensável não é o livro. Indispensável é conhecer a história e os debates da bioética, em Portugal e nos outros países, para que seja possível uma participação democrática em assuntos que a todos dizem respeito.

Como já escreveu Anselmo Borges, o achismo é o inimigo do conhecimento e do debate entre cidadãos. Para encher os meios de comunicação - rádios, televisões, jornais, redes sociais - não é preciso conhecimento argumentado. Basta dar a ilusão que a verdade não tem interesse, tanto mais que a época da pós-verdade é o seu reino. Silêncio imposto sobre determinados temas já o conhecemos e ainda existe em muitos países. Mas agora, procura-se o mesmo resultado falando muito. Poucos dias depois de ter chegado a Nampula (Moçambique), e não sabendo nada de macua, passei por um grupo que falava e gesticulava alegremente. Perguntei a um rapaz macua, que sabia português, o que estava aquela gente a dizer com tanto entusiasmo. Resposta rápida: não estão a dizer nada, é só falar. Hoje em dia, e entre nós, em relação a muitos programas que pretendem ser de informação e debate, tenho a impressão de que também não dizem nada. É só falar. Seriam bem dispensáveis.

O que não se pode dispensar é o conhecimento da história da Bioética que – ao contrário da clássica Ética Médica até aos anos 70 do século XX – tem um outro horizonte temporal e outro alcance filosófico: a equação moral que não se esgota na imediatidade ou proximidade da relação quase sempre privada e individual médico-doente. Há um outro tempo, uma esfera pública e comum, transgeracional que pode mesmo afectar o futuro do planeta[2].

15.10.2017



[1] Cf. Miguel Oliveira da Silva, Eutanásia, Suicídio Ajudado, Barrigas de Aluguer, Caminho, Lisboa, pp 80-87; 114-124
[2] Cf. Obra citada pp 63-68

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Convocatória da AG ELEITORAL _25 de Novembro 2017_10:00_Seminário Diocesano de Leiria - UASP

Ex.mos Senhores
Presidentes das Associações de Antigos Alunos dos Seminários Portugueses
Assunto: Assembleia Geral eleitoral, 25 de Novembro de 2017
Dando cumprimento ao Artº 10º dos Estatutos e de acordo com o ponto nº 6 da acta nº 6, de 23 de Novembro de 2013, vimos, por este meio, convocar as Associações filiadas para a Assembleia Geral eleitoral da UASP que terá lugar no dia 25 de Novembro de 2017 (Sábado), pelas 10:00 horas, no Seminário Diocesano de Leiria, com a seguinte ordem de trabalhos:
10:00 – Início dos Trabalhos:
1. Verificação das presenças e da capacidade eleitoral das Associadas, nos termos estatutários.
2. Leitura da acta nº 13.
3. Apresentação da(s) lista(s) concorrente(s) ao(s) Órgãos Sociais para o triénio 2018-2020.
4. Discussão e votação da(s) lista(s).
5. Tomada de posse dos novos Órgãos Sociais.
6. Apresentação, discussão e votação do Plano de Actividades para o triénio 2017-2020.
7. Apresentação, discussão e votação do Plano de Actividades e Orçamento para 2018.
8. Outros assuntos de interesse geral.
9. Fim dos Trabalhos.
12:00 – Eucaristia
13:00 – Almoço
De acordo com o nº 4 do Artº 10º dos Estatutos, solicitamos que nos confirmem pela mesma via a recepção da presente notificação.
No sentido duma dinâmica institucional que se quer permanentemente ativa, comprometida e empenhada de todos (das associadas e de cada um dos seus membros) RECOMENDA-SE às Filiadas que se mobilizem no sentido da apresentação de lista (s) renovada (s) que evite (m) o cansaço ou até mesmo alguma estratificação/acomodação dos órgãos Sociais
O Seminário disponibiliza-se para servir o almoço (10€ por pessoa), bastando para tal que nos informem, se possível, através do presente e-mail, o número de pessoas (esposas, amigos,…) que desejam tomar esta refeição, até ao dia 21 de Novembro de 2017, 3ª feira.
Com os melhores cumprimentos.
Braga, 17 de Outubro de 2017
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
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Manuel Domingos Cunha da Silva – ASSASB

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Servir com alegria nas periferias- PE JOSÉ MANUEL

O P.e José Manuel Guerra Brites, missionário comboniano português, natural de Torres Novas em sussuarana, S.Salvador da Baía.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

A presença comboniana na América Latina 19 de Setembro de 2017

A história dos 150 anos do Instituto comboniano começou na Europa e desenvolveu-se primeiro na África: Egipto, Sudão, Uganda, Etiópia, África do Sul... de acordo com a vida e o plano do Fundador: “Salvar a África através dos africanos”.

Mas a metade do passado século, os diferentes apelos da Igreja (dos Papas e dos Bispos) pediram ao nosso Instituto e a muitas outras Congregações que se expandissem também para a América Latina, para tarefas missionárias e pastorais urgentes: no âmbito da primeira evangelização e da nova evangelização (cfr. RM, n. 33). É por isso que a presença dos Combonianos na América Latina é um capítulo consistente da história dos 150 anos, que os mesmos missionários estão a celebrar.

Sobre esta história, conta-nos, aqui (texto em inglês), o P. Romeo Ballan.

Fonte: Comboni.org

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

ESTE PAPA É UMA DECEPÇÃO! Frei Bento Domingues, O.P.


1. Num dos períodos de conflito armado mais ameaçador e de medo generalizado, dei aulas e fiz conferências de teologia em Bogotá e Medellin. Depois de 50 anos de horror, comoveu-me a coragem e o empenhamento do Papa Francisco, no meio de muitas dificuldades locais, em intensificar e tornar irreversível o processo de paz, na Colômbia.

Bergoglio não foi celebrar um país reconciliado, sem traumas nem ressentimentos. Quis contribuir para que  todos desejem que o diálogo e a reconciliação se tornem o estilo de vida do país.

É difícil aceitar que o ressentimento do ex-Presidente Álvaro Uribe – que se confessa um fervoroso católico – o tenha tornado alérgico à iniciativa do Papa que declarou aos colombianos: foi demasiado o tempo que passaram no ódio e na violência; não queremos que mais nenhuma vida seja anulada ou restringida. A conversão não é um acontecimento impossível.

Bergoglio não escolheu apenas o nome de Francisco de Assis. Em todo o lado, na Europa, no Oriente, em África, nas Américas, na Ásia, a sua vontade é realizar a oração que dele recebeu: Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz;
Onde houver ódio, que eu leve o amor; Onde houver discórdia, que eu leve a união; (…); Pois é dando que se recebe;
É perdoando, que se é perdoado; é morrendo que se vive para a vida eterna.

Mas se este é o espírito e o comportamento do Papa, porque suscitará ele tanta oposição?

2. Uma revista jesuíta[1] resolveu divulgar um texto de um biblista italiano, Alberto Maggi, membro da Ordem dos Servos de Maria, intitulado: Desilusão. O autor desenhou uma tipologia que alguns julgarão simplista, mas talvez seja apenas tão exacta que lhe baste ser simples.

Segundo ele, tudo começou com um murmúrio discreto, que se tornou uma queixa e se foi ampliando. Agora, a resistência já é declarada: um confronto público, por vezes uma provocação acompanhada de ameaças de um cisma.

Francisco, em pouco tempo, conseguiu decepcionar quase todos. Esta decepção de ressentimento encapotado converteu-se em algo que está à vista de quem quiser ver. Alguns dos cardeais que o elegeram estão desiludidos. Parecia o homem ideal, sem esqueletos nos armários, doutrinalmente conservador, mas aberto às novas ideias. Com ele poder-se-ia garantir um tempo de paz no meio dos escândalos da Igreja, um período sem turbulências nem divisões.

Nunca imaginaram que Bergoglio tivesse a intenção de reformar a Cúria Romana, de acabar com os seus privilégios e fustigar as vaidades do clero. A sua presença, simples e espontânea, é uma acusação constante aos prelados pomposos, faraónicos, anacrónicos, cheios de si mesmos.

Os bispos carreiristas estão decepcionados. A nomeação para uma cidade era só um passo para uma posição de maior prestígio. Estavam prontos a clonar-se com o pontífice de serviço, imitá-lo sempre em tudo, desde os gestos externos até aos doutrinais, fazer qualquer coisa para lhe agradar e obter os seus favores. Agora, vem este Papa e convida os bispos ambiciosos e vaidosos a ter o cheiro das suas ovelhas… Que horror!

Uma parte do clero também está decepcionada. Esse clero sente-se perdido. Criado no estrito cumprimento da doutrina, indiferente ao povo de Deus, já não sabe que fazer. Tem de recuperar um sentido de “humanidade” que o escrupuloso cumprimento das normas da Igreja tinha atrofiado. Pensava que estava, como “sacerdote” (presbítero), acima dos fiéis e, agora, este Papa convida-o a descer e a colocar-se ao serviço dos últimos…

Decepcionados também estão os leigos empenhados na renovação da Igreja, assim como os tradicionalistas super apegados ao passado. Para estes últimos, o Papa é um traidor, a ruína da Igreja. Para os primeiros, não está a fazer o suficiente, não muda nem as regras nem as leis que já não estão em sintonia com os tempos, não legisla, não usa a sua autoridade como “comandante” da Igreja…

Os mais entusiasmados com ele são os pobres, os marginalizados e invisíveis e, também, aqueles cardeais, bispos, padres e leigos que, durante décadas estiveram afastados por causa da sua fidelidade ao Evangelho, encarados com suspeita e perseguidos por causa da sua mania louca de ligar mais à Sagrada Escritura do que à tradição.

Aquilo que só haviam esperado, sonhado ou imaginado converteu-se numa realidade com Francisco, o Papa que fez descobrir ao mundo a beleza do Evangelho.

3. Alberto Maggi não tinha de falar de tudo. Os leitores portugueses podem e devem completar os mapas locais e o mundo das suas relações cujas percepções serão, naturalmente, muito variadas.

Pelo que ouço dizer e observo, em Portugal, existem movimentos e orientações paroquiais, discretamente empenhados em contrariar as consequências dos gestos, das palavras e das intervenções do Papa. Quando ele diz que a reforma litúrgica é irreversível, esses movimentos, organizações e personalidades não fazem declarações públicas de que estão contra ela. Adoptam gestos e devoções que a contrariam. Isto sem falar nos textos que escrevem para mostrar que o Papa é um homem de boa vontade, mas incompetente do ponto de vista teológico, para orientar a Igreja. O que lhe falta em teologia sobra-lhe em atrevimento e falta de respeito pelo Direito Canónico.

No meu ponto de vista, seria péssimo que os gestos e as atitudes do Papa não fossem discutidos. O uso da liberdade de expressão na Igreja é um direito e um dever. Aliás, é o que este Papa mais exerce e mais deseja para todos. O que é inaceitável é que sejam aqueles que sempre atacaram a liberdade no passado, usem todos os meios para restaurar um tempo em que só eles e os da sua tendência tinham direito de expressão. Servir-se de um tempo de liberdade para a destruir, não é o caminho da ética humana e cristã mais respeitável.

P.S. Foi no dia em que escrevi esta crónica que soube da morte do Bispo do Porto, António Francisco dos Santos, o Bispo português de quem mais gostava e que sempre me acolheu com muita amizade.

17.09.2017