quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

um cântico ao Deus Menino: «Dorme, dorme o Deus-Menino - Olindo Marques

Se bem que ao longe... mas ainda se pode dizer que se ouvem os coros angélicos com seus cantares celestiais.
E aqui estou eu a oferecer aos meus amigos mais uma prenda musical - um cântico ao Deus Menino: «Dorme, dorme o Deus-Menino». Nos vão a partitura em PDF (para imprimir) e a música (.mp3: é só clicar com o botão direito do rato e escolher Abrir para abrir a partitura ou ouvir a música). Podem ouvir e espalhar... Seguindo o meu "Cantate Laudate! é já o cântico 106.
Espero que gostem.
Este cântico, tal como mais de uma dúzia de outros, poderão descarregá-los em:
   
          http://cantate-laudate.webnode.pt (façam lá uma visita)

 A todos um abraço

Olindo Marques

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

As relações entre os Institutos de Vida Consagrada

P. David Glenday, missionário comboniano e Secretário Geral da União dos Superiores Gerais (USG).
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“Espero que cresça a comunhão entre os membros dos diferentes Institutos. Não poderia este Ano ser ocasião de sair, com maior coragem, das fronteiras do próprio Instituto para se elaborar em conjunto, a nível local e global, projectos comuns de formação, de evangelização, de intervenções sociais? Poder-se-á assim oferecer, de forma mais eficaz, um real testemunho profético. A comunhão e o encontro entre diferentes carismas e vocações é um caminho de esperança. Ninguém constrói o futuro isolando-se, nem contando apenas com as próprias forças, mas reconhecendo-se na verdade de uma comunhão que sempre se abre ao encontro, ao diálogo, à escuta, à ajuda mútua e nos preserva da doença da auto-referencialidade”. ( Papa Francisco ) )

domingo, 28 de janeiro de 2018

ANDRÓIDES, PROFESSORES DE TEOLOGIA? Frei Bento Domingues, O.P.


1. Hiroshi Ishiguro é um académico japonês, de 54 anos, professor da Universidade de Osaka, que desenvolve robôs inteligentes com aparência humana. Veio a Lisboa fazer uma conferência na Universidade Católica. João Pedro Pereira, do Público, conversou com este criativo[1].

Hiroshi desejou ser pintor para entender a humanidade. Mudou-se para a área da robótica e da inteligência artificial. Ao verificar que a inteligência artificial precisava de um corpo apropriado, criou, nos últimos anos, vários andróides. Trabalha com diversas empresas no Japão para desenvolver múltiplas aplicações práticas. Toda a gente consegue interagir com robôs semelhantes a seres humanos. No ambiente de laboratório, a aparência e os movimentos dos andróides têm vindo a ser aperfeiçoados. A inteligência artificial torna-se cada vez mais sofisticada e permite que as máquinas possam ter conversas razoáveis com pessoas. Contudo, na construção de robôs que funcionam como humanos a consciência será, provavelmente, a última barreira.

Ishiguro acredita que um dia, não hoje, esta dificuldade será ultrapassada. Talvez demore duas ou três décadas. Julga que o que já pode dizer, com clareza, é que os investigadores, os neurocientistas e os cientistas de robótica, estão muito interessados na consciência. Depois da inteligência artificial, a próxima meta é a consciência artificial.

Um amigo meu que leu este artigo telefonou-me. Alternava a irritação com a indignação. Estava-se nas tintas para essas máquinas, mas não podia aceitar o atrevimento da Universidade Católica em acolher esse desvairado professor. Os católicos acreditavam, e acreditam, que o ser humano foi criado à imagem de Deus. Voltaire dizia, com humor, que o ser humano pagou-lhe bem. Fez deuses à sua imagem e semelhança. Agora, prescinde-se de Deus e fazem-se máquinas à imagem do ser humano! Qualquer dia já vão começar a pedir o Baptismo para esses andróides e a conceder-lhes ministérios eclesiais que negam às mulheres. Em vez de padres estrangeiros vamos ter padres andróides de rosto bem português. A indignação deste amigo levou-o até ao fim: não me admirava que a Católica viesse a nomear andróides professores de teologia.

O Papa já se indignou com os telemóveis na missa: corações ao alto, não telemóveis ao alto. Não sei se estará informado de que muitos padres já celebrem por telemóvel e Ipad.

2. É preciso ter em conta que sem máquinas já havia, na Igreja, muitos comportamentos maquinais. A forma como, alguns clérigos, celebram os sacramentos, mesmo com os livros à frente e já traduzidos para português, como sabem de cor as fórmulas, é sempre a despachar. As orações da missa parecem invocar um deus robótico, omnipotente, omnisciente e eterno. Por outro lado, certa teologia do Magistério eclesiástico que se limitava a repetir os manuais da doutrina oficial, as decisões dos antigos concílios e seus anátemas, o Direito Canónico e a invocação da infalibilidade do Pontífice Romano, a partir do Vaticano I, toda essa teologia podia ser muito bem substituída por uma maquineta. Não falta quem se sinta um teólogo porque já tem bibliotecas e documentos da Igreja no seu telemóvel. Se perguntarem a quem dispõe dessa completíssima documentação e como a utiliza, vai encontrar quem sinceramente responda: deixo-a dormir.

Soube que um católico perplexo acerca de algumas questões teológicas foi consultar uma pessoa que julgava competente, e até talvez fosse, mas a resposta desencorajaria qualquer um. Levado a uma grande biblioteca recebeu a máxima informação: está tudo aí.

3. Ausência de teologia significa falta de inteligência ou falta de fé ou falta das duas. A prática teológica, no âmbito do cristianismo, é um mundo de vários mundos. Já foram escritas, no séc. XX, muitas iniciações e introduções a esse universo cultural[2].

O Vaticano II tornou-se uma data incontornável. Não é para aqui a descrição das grandes correntes da prática teológica que o precederam e que o seguiram.

Em 2017, a Associação Teológica Italiana completou meio século. O Papa Francisco ao recebê-la destacou que o primeiro artigo do seu estatuto reza assim: no espírito de serviço e comunhão indicado pelo Concílio Ecuménico Vaticano II. E não comentou por acaso: a Igreja deve referir-se sempre àquele acontecimento, através do qual teve início uma nova etapa da evangelização e com o qual ela assumiu a responsabilidade de anunciar o Evangelho de um modo novo, mais adequado a um mundo e a uma cultura profundamente transformados. É evidente que aquele esforço exige da Igreja inteira, e em particular dos teólogos, que seja recebido no sinal de uma fidelidade criativa: na consciência de que nestes cinquenta anos se verificaram ulteriores mudanças e na confiança de que o Evangelho possa continuar a sensibilizar, também, as mulheres e os homens de hoje.

Depois de louvar o estilo do trabalho realizado, passou para outro universo. O ministério teológico continua a ser uma grande necessidade da Igreja, mas para ser genuinamente crente não é preciso realizar cursos académicos de teologia, pois existe um sentido das realidades da fé que pertence a todo o povo de Deus.

A teologia na Igreja não pode ser um gueto de “escribas e fariseus”, que ocultam e sufocam a criatividade de todos os cristãos. Deve ser praticada no desejo e na perspectiva de uma Igreja em saída missionária. Deste ponto de vista e nesta conjuntura histórica, a teologia é particularmente importante e urgente.

Todas as paróquias, grupos, movimentos e instituições católicas deveriam ter um ministério, de mulheres e homens, de jovens e adultos que ajudasse na interpretação e no discernimento dos sinais dos tempos para encontrar, em cada momento, os caminhos da fidelidade ao Evangelho. Menos cerimónias de culto e mais inteligência afectiva e comprometida não faziam mal a ninguém. E talvez não seja assim tão urgente encontrar andróides para este ministério. Além disso, são caros.

28.01.2018



[1] CF Público, 22.01.2018
[2] Hans Küng, Os grandes pensadores do cristianismo, Ed. Presença, 1999, procurou escrever através deles uma pequena introdução à teologia.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Partidas para Moçambique e República Centro-Africana 25 de Janeiro de 2018

Finalmente, O Pe. António Ino concretiza um dos seus grandes desejos: regressar a Moçambique.

"O P. António Ino e o Ir. José Neto partiram na tarde de ontem, 24 de janeiro, para Maputo, Moçambique. O P. Ino vai matar saudades: foi convidado a pregar o retiro aos seminaristas maiores do Maputo e volta daqui a um mês. O Ir. Neto vai iniciar um novo serviço missionário no Centro Catequético do Anchilo (arquidiocese de Nampula) depois de 14 aos de trabalho em Lisboa e Camarate. Boa viagem para os dois. Ao Ir. Neto, um grande bem-haja da província portuguesa e votos de felicidades para a sua primeira missão em África!

Também na tarde de ontem, a Cristina Sousa (LMC) partiu em Missão para a República Centro-Africana, mais especificamente para Mongoumba. Lá ela se juntará à comunidade de LMC’s ali presentes (a nossa Maria Augusta de Portugal, a Anna da Polónia e o Simone da Itália) por dois anos."
 A todos desejamos boa viagem e um profícuo trabalho apostólico.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

OS TRABALHOS DA uasp PARA 2018

Vivemos num país que ainda não sabe bem o que quer, seja quanto à descentralização ou desconcentração de competências executivas que uns defendem, seja quanto à regionalização de parte do poder que outros rejeitam.

Nada disso se passa na UASP que, desde a sua fundação, sabe descentralizar as iniciativas de que é exemplo a última reunião que a mesma levou a cabo no pretérito sábado, dia 20 de Janeiro, no Seminário da Silva, em Barcelos, com os dirigentes das suas associadas para discutir as propostas com vista ao cumprimento do Plano para 2018. (Continua)   VER MAIS

www.uasp.pt | Faceboock.com/uasp

domingo, 21 de janeiro de 2018

AS TRAPALHADAS COM AS MULHERES NA IGREJA(II) Frei Bento Domingues, O.P.


1. No passado Domingo, o Público apresentou uma deliciosa reportagem[1] sobre as celebrações dominicais promovidas e orientadas por leigos, mulheres e homens e um oportuno editorial de Lurdes Ferreira, sobre O tempo dos leigos.

As trapalhadas com os ministérios na Igreja afectam, sobretudo, a celebração da Eucaristia e são uma dificuldade para a hospitalidade eucarística entre as Igrejas cristãs[2]. 

Na reportagem sobre as pessoas que tomam a iniciativa de reunir e formar uma comunidade que não tem ministros ordenados para presidir à Eucaristia, por que razão não poderá o bispo ordenar alguém que é reconhecido como competente e zeloso na formação e no crescimento dessa mesma comunidade?

Edward Schillebeeckx[3] tentou, em 1980, uma solução para o serviço de presidência da Eucaristia, nas comunidades eclesiais. Aparentemente não correu bem, mas ele não desistiu. Esse caminho é, neste momento, aquele que nos pode abrir um presente e um futuro para a vida eucarística das comunidades católicas. Em nome de uma disciplina canónica inadequada, estamos a deixar as paróquias, os grupos e os movimentos católicos à deriva. Insiste-se na celebração da Eucaristia como o sacramento dos sacramentos. Com toda a razão. As comunidades de baptizados têm direito a participar na sua celebração. De facto, arranjam-se cenários para as impedirem. O pretexto é sempre o mesmo: não há padres. Se não há, façam-nos. Não faltam candidatos e candidatas preparados, ou que podem ser preparados, com desejo de receberem esse ministério. Mas não nos moldes actuais. O modelo presente já não pode ser o único. Sem imaginação, sem vontade de alimentar e dinamizar as comunidades católicas, as lideranças da Igreja só se podem queixar de si mesmas.

Importa entender o percurso e as razões deste dominicano holandês para perceber duas coisas: nunca se conformou com os obstáculos criados às reformas propostas pelo Vaticano II, nem se contentou com repetir os seus documentos. Procurou inovar e não se resignou perante os repetidos processos que Roma lhe moveu, sem nunca o conseguir condenar.

2. O primeiro processo foi sobre as suas posições acerca da secularização (1968). Soube, por um amigo, K. Rahner, que estava a ser perseguido. Este tinha recebido do Santo Ofício, sob sigilo rigoroso o material dessa acusação. Rahner violou esse grave sigilo porque, dizia, o direito natural vale mais do que uma medida eclesiástica! No final do processo, confidenciou-lhe: apesar de tudo, dois terços dos consultores da Congregação partilhavam as ideias do acusado!

O segundo processo foi sobre a sua cristologia (1979). Respondeu a todas as questões que lhe enviaram em 1976, mas em 1978 já estava com outro processo às costas e teve de ir a Roma esclarecer a sua posição.

Nessa altura, eu estava em Roma e conhecia muito bem um dos professores que o iriam examinar. Lembro-me de Schillebeeckx ter declarado: o que se passar nesse interrogatório será comunicado aos jornalistas, o que aconteceu. Não foi condenado, mas recebeu, em 1980, uma carta para novos esclarecimentos. Havia uma distinção entre as posições da Congregação e as de Schillebeeckx, mas não acerca da fé cristã. O pior estava para vir.

Em 1984 surge um terceiro processo. Neste caso sobre os ministérios na Igreja. A questão de fundo era a que ainda hoje nos perturba: o serviço de presidência da Eucaristia. Ele defendia um ministério extraordinário quando não houvesse padre ou bispo para esse serviço. O cardeal Ratzinger perante o relatório de teólogos holandeses sobre o livro de Schillebeeckx, publicou uma carta que excluía a posição desse teólogo e acrescentava que era um assunto que já tinha sido resolvido no IV Concílio de Latrão: só os padres podiam presidir à celebração eucarística. O assunto estava arrumado. Essa recusa não convenceu o teólogo flamengo observando que Ratzinger esquecia que o objecto desse Concílio era a exclusão dos diáconos que substituíam o bispo, quando este não podia estar presente.

O professor de Nimega não se dá por vencido e escreve um novo livro no qual já não fala do ministro extraordinário da presidência da eucaristia, mas apela para uma outra categoria, para dizer a mesma coisa. Pede uma espécie de sacramento para os agentes de pastoral, a fim de poderem receber uma ordenação, no quadro dos ministérios sacramentais. Se não desejam soluções extraordinárias, sigam o caminho do que deve ser normal.

3. No final desses processos, perguntaram a Schillebeeckx se tinha sofrido muito. Não, outros sofreram mais. Mas quando soube, por K. Rahner, que estava ser objecto de um inquérito, sem saber porquê, disse-lhe: “eis a recompensa reservada aos que trabalham, dia e noite, para a Igreja! Depois, tudo aquilo me irritou. Nós, os teólogos não somos infalíveis, mas há maneiras e maneiras de tratar as pessoas”.

Quando lhe perguntam se tinha pensado em abandonar a Igreja e sair da Ordem, respondeu: “Nunca. Nunca. Pertenço à Igreja Católica Romana, mas isso não significa que esta Igreja não possa cometer erros. De facto, comete. É preciso ter coragem de o dizer. Abandonar a Ordem dos Dominicanos? Nunca pus em questão a escolha que fiz aos 19 anos. Para concluir este capítulo dos processos tenho de dizer: nunca recebi qualquer tipo de condenação até agora e espero nunca receber. Apesar destas aventuras, sou feliz por pertencer à Igreja e à Ordem Dominicana”.

21.01.2018



[1] Margarida David Cardoso, Ou Rosa dava a “missa” ou a igreja fechava,
[2] Cf. Frei José Nunes, Ministérios Laicais no Novo Testamento e primeiros séculos da vida da Igreja, in Laicado Dominicano e a pregação, XII Jornadas Nacionais da família dominicana, Fátima, 8 a 10 de Novembro de 2013; D. Borobio, Ministérios Laicais, Ed. Perpétuo Socorro, Porto 1991; J. Estrada, La identidad de los laicos, Paulinas, Madrid, 1990; A. Faivre, Naissance d’une hiérarchie, Beauchesne, Paris, 1977; Pierre Bühler, Foi o Papa e não Lutero quem provocou a rutura (entrevista de António Marujo, Revista Expresso 6 de Janeiro 2018)
[3] Edward Schillebeeckx, Je suis um théologien heureux, Paris, Cerf, 1995

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Chile: Papa leva mensagem de esperança a presidiárias 17 de Janeiro de 2018

Um dos momentos mais significativos do primeiro dia da visita do Papa ao Chile foi o encontro com as presidiárias do Centro penitenciário feminino de Santiago..."E peço-vos, por favor, que rezeis por mim, porque preciso. Obrigado!”