sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Óscar Romero canonizado a 14 de Outubro

O Papa Francisco vai canonizar os beatos Paulo VI e Dom Óscar Romero a 14 de outubro, no Vaticano.

Os Beatos vão ser inscritos no Livro dos Santos no domingo, numa celebração que vai decorrer durante o Sínodo dedicado aos jovens.

D. Óscar Romero (1917-1980), antigo arcebispo de El Salvador, foi morto a tiro em 1980, às mãos da junta militar que dominava o país.

A população salvadorenha se prepara para viver o evento com muita alegria e espiritualidade. Desde que foi fixada a data e o lugar da cerimónia de canonização do futuro santo, o governo de El Salvador e a Igreja Católica iniciaram uma programação de atividades, para a preparação espiritual e logística de todos.

Nesta quarta-feira, são realizadas conferências no Vaticano e no Colégio Pio Latino-Americano sobre a vida do futuro santo e do Papa Paulo VI. Nos dias 11 e 12 de outubro, serão dedicados ao futuro santo vários eventos culturais. No sábado, 13 de outubro, serão realizadas vigílias em Roma e em El Salvador. No domingo, 14 de outubro, Dom Óscar Arnulfo Romero, mártir e profeta que se entregou ao seu povo, será canonizado.

“Depois da cerimônia de canonização, este evento não permaneça de forma isolada, porque se trata de um acontecimento eclesial que dá origem a um verdadeiro movimento de renovação da espiritualidade da Igreja Católica, que nos leva a voltar às fontes da revelação e leva a um compromisso de transformação das realidades temporais aproximando-as às vontades de Deus”, apela a Santa Sé.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Ditaduras - Silva Araújo, DM

1. Uso propositadamente o vocábulo no plural.
Estou persuadido da existência não de
uma mas de diversas ditaduras, embora nem
sempre disso tenhamos consciência.
Vive-se em ditadura quando se não tem
liberdade e não há liberdade quando nos
submetemos a uma ou mais dependências. Quando existem
pessoas ou coisas sem as quais não podemos passar.
Mas isso, dirão, são dependências, não ditaduras. É
uma forma habilidosa de dar a volta à situação e de a
suavizar. Mas, se pensarmos bem, uma dependência não
deixa de ser uma ditadura. Penso assim.
2. Pessoas defensoras das mais amplas liberdades e
vêm a terreiro como lutadoras contra a ditadura estão,
na prática, sujeitas a uma ditadura a que chamam disciplina
partidária.
Indivíduos há, no mundo da política e não só, dependentes
de como pensam e do que ditam os líderes. Não
são livres de agir e de decidir conforme a própria consciência,
mas têm de seguir as orientações do chefe e é
em função dessas ordens que levantam ou não o braço,
aprovam ou rejeitam tal decisão, se abstêm de emitir
um parecer.
Porque o chefe manda, as pessoas abdicam da própria
capacidade de pensar. Não é só na Igreja que há dogmas.
3. Há ambientes de trabalho que são autênticas ditaduras.
A dependência do ordenado gera a ditadura do
medo. Há pessoas que bem gostariam de emitir uma
opinião e de discordarem do chefe, mas se o fazem sujeitam-
se a consequências desagradáveis.
Este género de ditadura produziu a geração dos lambe-
botas e dos aduladores profissionais.
Há ambientes de trabalho onde seres humanos se sujeitam
a serem tratados como máquinas. Têm tudo cronometrado.
Todos os seus passos são controlados. Como
necessitam do emprego e do dinheiro que recebem,
sujeitam-se.
4. Uma grande ditadura é a da toxicodependência.
Habituadas a consumirem determinadas
substâncias, as pessoas sujeitam-se a tudo para as
conseguirem. Esquecem-se, se for caso disso, da
própria dignidade.
5. São ditaduras o respeito humano; o parece
mal. Por vergonha dos comentários dos outros
há pessoas que se acobardam. Que assumem
publicamente comportamentos de que no íntimo
discordam. Que aplaudem quando gostavam
de censurar.
6. Uma forte ditadura é a da moda. Pessoas há
que se movem empurradas pelos interesses da
sociedade de consumo. Certos indivíduos decidem
que as pessoas hão-de vestir de determinada
maneira e há quem se lhes sujeite. Acriticamente.
Porque parece mal discordar do ditador.
Quem me conhece sabe que procuro não ofender
seja quem for. Mas acho ridículo o uso das calças
rotas. Mas como é moda, e a moda é que manda…
Já repararam na ditadura que, nos casamentos,
os fotógrafos exercem sobre os noivos?
7. Porque certa Comunicação Social ditou que
é moderno ser de esquerda há pessoas que se
coíbem de manifestar em público as suas convicções.
Daí a necessidade de, em certos casos,
se proceder ao voto secreto e não à votação de
braço no ar.
Porque certas minorias influentes ditaram que
a liberdade não tem limites, há pessoas constituídas
em autoridade que se abstêm de tomar posição,
de afirmar a defesa de princípios que são de
manter e permitem a bandalheira que por aí anda.
8. É moda, em alguns ambientes, apresentar-
-se como ateu ou agnóstico. Para não destoarem
e darem a ideia de que são prá frentex pessoas
há que se inibem de, publicamente, revelarem a
fé que no íntimo professam. E deixam de rezar
em público. E deixam de exibir sinais religiosos.
9. Se pensarmos bem verificamos haver realmente
um conjunto de ditaduras a que, inadvertidamente,
– também nos acomodamos ao mal!
– nos submetemos.
Porque nos falta a coragem suficiente para remarmos
contra a maré e de termos receio de ser
diferentes. A ditadura do medo tem muito poder.
Parafraseando parte do hino da Mocidade Portuguesa,
cá vamos, cantando e rindo, levados, levados
sim por aqueles que, dan do a ideia de que nos
servem, na realidade não deixam de nos explorar.
Ser homem é ser livre. Quem o é realmente?
Muitos dos que se afirmam paladinos da liberdade
não vivem ainda acorrentados ao Maio Parisiense
de 68?
Cuidemos
da nossa

terça-feira, 9 de outubro de 2018

P.e FELIZ MARTINS - Darfur


A missão para mim
A missão tem sido o coração da minha vida. Muito especialmente, desde o dia em que Deus me consagrou com o selo e o cariz de missionário comboniano.

Sou Feliz de nome e felicíssimo como missionário. Muito embora com sombras e obscuridades, o Sol brilha sempre mais forte no meu caminho e sinto o Deus da misericórdia ao meu lado.

A alegria em Deus e no coração sempre me tiveram por companheiro. Porém, ninguém pense que esta se manifesta só através de uma cara risonha ou às gargalhadas. Deus conhece-me por dentro e por fora e sabe da minha alegria.

Mas o meu ser feliz não é segredo exclusivo de Deus. Sinto, de facto, grande satisfação, como ser humano que sou, quando as pessoas à volta também se apercebem da minha alegria.

A missão nasce nas relações de amizade e encontra terreno fértil nos caminhos do deserto onde Deus desce e nos vem matar a sede a todos nós que, juntos, caminhamos.

Sou feliz mesmo quando não me apercebo da conversão ao cristianismo de alguém que caminha comigo e não pede o baptismo. Conversões anónimas que o Espírito Santo, o verdadeiro protagonista da missão, vai assistindo e fortalecendo.

Sou feliz na missão do Darfur, Sudão, onde fui enviado para ser sinal do amor e da misericórdia de Deus a quem não me canso de agradecer.

P. Feliz Martins

Missionário Comboniano

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

HIERARQUIAS CIUMENTAS? Frei Bento Domingues, O.P.


  1. Segui vários cursos sobre as diversas expressões do profetismo bíblico, orientados pelo dominicano Francolino Gonçalves, um dos maiores especialistas mundiais em literatura profética do antigo Oriente[1]. Confesso que esses cursos e a frequente leitura dos seus textos serviram mais para admirar o seu saber e verificar a minha ignorância, do que para me sentir minimamente competente, no meio desse vastíssimo e diferenciado fenómeno de muitos estilos. Na nossa linguagem corrente, profeta é aquele ou aquela que prevê, ou se atreve, a predizer o futuro. Um adivinho. Na Bíblia, é um ser humano que tem o dom divino de ser lúcido acerca do presente, vendo as esperanças e as ameaças que encerra. Sabe discernir as opções que libertam o horizonte das que conduzem ao desastre colectivo. Importa não confundir os verdadeiros com os falsos profetas, isto é, os defensores das populações com os bajuladores dos poderosos.

 No mundo sacral, a religião, com os seus luxuosos cerimoniais, em que vive a classe sacerdotal, serve para dar cobertura à exploração dos trabalhadores e à humilhação dos pobres. Essa religião é vomitada por Deus. Sem a prática da justiça e o cuidado dos pobres, a religião é uma abominação.

O profeta Miqueias, disse o essencial: «Com que me apresentarei ao Senhor, e me prostrarei diante do Deus excelso? Irei à sua presença com holocaustos, com novilhos de um ano? Porventura o Senhor receberá com agrado milhares de carneiros ou miríades de torrentes de azeite? Hei-de sacrificar-lhe o meu primogénito pelo meu crime, o fruto das minhas entranhas pelo meu próprio pecado? Já te foi revelado, ó homem, o que é bom, o que o Senhor requer de ti: nada mais do que praticares a justiça, amares a lealdade e andares humildemente diante do teu Deus.»[2]

2. As liturgias do Domingo não são todas iguais. As escolhas dos textos são muito variadas e ainda bem. A combinação entre elas nem sempre é a mais brilhante. Não digo isto para desculpar as homilias mal preparadas como a daquele pároco que começou a sua pregação com toda a solenidade: o Evangelho de hoje não presta!

No Domingo passado, a selecção dos textos não podia ser mais apelativa, nem mais profética. Abriu com este espanto: «Naqueles dias, o Senhor desceu na nuvem e falou com Moisés. Tirou uma parte do Espírito que estava nele e fê-la poisar sobre setenta anciãos do povo. Logo que o Espírito poisou sobre eles, começaram a profetizar, mas não continuaram a fazê-lo. Tinham ficado no acampamento dois homens: um chamava-se Eldad e o outro Medad. O Espírito poisou também sobre eles, pois contavam-se entre os inscritos e, embora não tivessem comparecido na tenda, começaram a profetizar no acampamento. Um jovem correu a dizê-lo a Moisés: Eldad e Medad estão a profetizar no acampamento. Então Josué, filho de Nun, que estava ao serviço de Moisés desde a juventude, tomou a palavra e disse: Moisés, meu senhor, proíbe-os. Moisés, porém, respondeu-lhe: Estás com ciúmes por causa de mim? Quem me dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor infundisse o seu Espírito sobre eles!»[3]

Moisés era considerado o profeta dos profetas, o mais clarividente de todos, mas não julgava que tinha o exclusivo. Era um democrata do profetismo. Quando se fala de democracia na Igreja, fica tudo aflito e, pelas democracias que conhecemos temos de nos render à observação de Churchill « a democracia é a pior forma de governo imaginável, à excepção de todas as outras ».

O sentido da inclusão regressa no Evangelho de Marcos entre a sabedoria e a ameaça. «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedi-lo porque ele não anda connosco»[4]. Faziam do discipulado uma propriedade privada: Jesus é só nosso! O Mestre não gostou nada dessa cegueira. Era uma questão de bom senso: quem não é contra nós, é por nós.

Não ficou por aí. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em mim, melhor seria, para ele, que lhe atassem, ao pescoço, uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar.

Escandalizar é fazer proliferar o mal de modo incontrolável. Tudo em nós pode servir para o melhor e para o pior. Para grandes males, grandes remédios. Nesta parábola exemplar, não há grande confiança na emenda. A mutilação generalizada de pés, mãos e olhos parece a única saída.

A carta de Tiago é dura como a pregação do profeta Amós. Privastes do salário os trabalhadores que ceifaram as vossas terras. O seu salário clama; os salários dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo. Ficou para sempre cunhada a expressão: há pecados que bradam aos céus.

3. Estes textos foram lidos na celebração do Domingo passado e suscitam a pergunta: aconteceu alguma coisa nas comunidades católicas?

O grande debate na Igreja, desde o Vaticano II, é o seguinte: Moisés disse o que acima transcrevemos, o desejo de um povo profético, sem exclusivos. Jesus vai na mesma linha e S. Paulo, no seguimento do Baptismo, afirma: não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem e mulher, porque todos vós sois um só em Cristo Jesus[5].

A irritação com o Papa Francisco é o pânico de que ele, apesar de todas as iniciativas para o travar, não desista do seu programa global, A Alegria do Evangelho.

Quando, agora, quer colocar a Igreja numa focagem sinodal, isto é, colocar a Igreja toda num processo de reforma permanente, impedindo uma acção pastoral de mera conservação, envolvendo todas as pessoas, estruturas, estilos e linguagens, vem o susto: ele é capaz de não desistir e, quanto mais idoso fica, mais atrevido se mostra. O receio maior é outro: que o novo papa siga pelo mesmo caminho. Daí, as estratégias e as tácticas para desenvolver um movimento global, com muito dinheiro e meios, para impedirem uma futura eleição que continue o programa de Bergoglio. Essa tentativa já começou, nomeadamente, nos Estados Unidos.

09.10.2018



[1] José Augusto Ramos, Francolino Gonçalves In Memoriam, CADMO 26, 2016, pp 267-270; Cf. os textos de Francolino Gonçalves nos Cadernos ISTA (www.ista.pt), destacando, Iavé, Deus de justiça ou de bênção, Deus de amor e de salvação, nº 22, ano IV (2009), pág. 107-152, pela sua originalidade acerca dos dois Iaveísmos, dentro da multiplicidade dos “retratos” bíblicos de Deus

[2] Mq 6, 6-8
[3] Nm 11, 25-29
[4] Mc 9, 38-48
[5] Gl 3, 28

sábado, 6 de outubro de 2018

MADEIRA E PORTO SANTO-Por mares dantes navegados

"(...) Perante tudo isto, tenho de confessar que não me senti uma turista na ilhas da Madeira e do Porto Santo, mas antes uma visitante do seu povo, através do contacto com a sua cultura, a sua história e a sua religiosidade. Isso aconteceu graças ao grupo que integrei, sobre o qual não poderei deixar de destacar (...) VER MAIS


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Rescaldo de uma fantástica viagem-peregrinação à Madeira e Porto Santo em que me integrei no passado dia 15 de setembro.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Mártires do século XX - DM de 4 DEZ

1. Acompanhei como pude a viagem apostólica
do Papa Francisco aos países bálticos –
Letónia, Estónia e Lituânia – entre 23 e 26
de setembro. Prestou homenagem às vítimas
de dois dos grandes totalitarismos do
século XX: o nazismo e o comunismo.
Concluída a visita, já no Vaticano, o Papa declarou:
“É impressionante ver até onde pode chegar a crueldade
humana. Vamos pensar sobre isso”, pediu aos peregrinos
reunidos na Praça de São Pedro, para a audiência
pública semanal.
Recordou que em Vilnius prestou homenagem às vítimas
do genocídio judaico “75 anos depois do encerramento
do grande gueto, que era antecâmara de morte
para dezenas de milhares de judeus”.
“Ao mesmo tempo, disse, visitei o Museu das Ocupações
e Lutas pela Liberdade: parei em oração nos quartos
onde os opositores do regime foram detidos, torturados
e mortos. Matavam mais ou menos quarenta
pessoas por noite”.
O Papa falou dos mártires católicos e do “grande testemunho
que deram e ainda dão tantos padres, religiosos
e religiosas idosos, que sofreram calúnias, prisões e
deportações”.
2. Esta visita do Papa é, com efeito, oportunidade para
recordar os mártires de todos os tempos, mas particularmente
os do século XX. Folheei, a propósito, dois
esclarecedores livros: «Os Mártires Católicos do Século
XX», de Robert Royal, e «O Século do Martírio», de
Andrea Riccardi.
O século XX foi um século de grande desumanidade
e sangrentas carnificinas provocadas não apenas pelas
duas guerras mundiais e pela guerra civil de Espanha mas
também por grandes perseguições ideológicas, de que
foram particularmente vítimas os judeus e os cristãos.
3. Refiro particularmente as perseguições de que foram
vítimas os cristãos, mas não devo esquecer as perseguições
de que foram objeto muitos outros, pelos
mais diversos motivos. Perseguições que conduziram
à morte violenta e perseguições que infernizaram
a vida às pessoas, marginalizando-as ou
criando-lhes difíceis ou até insuportáveis condições
de vida. Também é perseguição arrumar seres
humanos na prateleira ou massacrá-los com
o assédio sexual.
4. As perseguições têm na base o desrespeito
pela vida e pela dignidade do ser humano. A violação
do direito que todos possuem de, não ofendendo
os outros, fazerem as suas opções, a nível
religioso, político e outros.
Aquele que escolheu apoiar um clube diferente
do da minha simpatia nem por isso deixa
de ser uma pessoa como eu e de ter o direito de
ser respeitado na sua dignidade, nos seus direitos,
nos seus bens.
As diferentes opções não devem ser motivo para
ver no outro um inimigo e de o tratar como tal.
Quem não é dos nossos é um ser humano como
nós. Tem, como nós, direito a condições dignas
de vida. Numa perspetiva cristã é um nosso
irmão cuja liberdade devemos saber respeitar como
pretendemos que respeitem a nossa.
5. Qual o número de mártires cristãos no século
XX?
Impossível contabilizá-los. Desconhece-se o
nome de grande parte deles. Há quem aponte a
cifra de três milhões.
Há que tomar consciência de que o martírio
dos cristãos nem sempre tem sido devidamente
noticiado.
Escreve Robert Royal: «Os relatos do século
XX foram geralmente produzidos sob uma
perspetiva quase puramente política que, quando
admite a existência de mártires, o faz apenas
tangencialmente. A título de exemplo, a terrível
tentativa de genocídio dos Arménios operada
pelos Turcos, que teve lugar no início do século,
foi devidamente documentada pela maioria
dos textos históricos. No entanto, raramente se
refere que muitos cristãos, arménios católicos e
ortodoxos, morreram durante esse mesmo massacre
precisamente por serem cristãos. A Igreja
Católica arménia calcula que sete bispos, 126
padres, 47 freiras e cerca de 30.000 leigos perderam
a vida por causa da sua fé sob o moderno
regime turco».
Ainda hoje se não noticia devidamente a morte
violenta de muitos cristãos, vítimas de fanatismos
ideológicos. Às vezes, até, invocando sacrilegamente
o nome de Deus. Fica-se com a ideia de
que a vida só tem valor para alguns. Há filtros em
grandes meios de comunicação social que impedem
o relato de que são vítimas muitos cristãos.
Silva Araújo - Diário do Minho

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Viver hoje o carisma comboniano - M C.

Na conclusão dos trabalhos da Assembleia Intercapitular, os participantes dirigiram uma mensagem de comunhão e gratidão pelo que sois e fazeis no quotidiano da missão.

“Viver hoje o carisma comboniano… é tomar consciência das transformações que estão a acontecer e aprender a mostrar o Deus da história, sempre próximo dos últimos da terra. A leitura da realidade, bela e trágica ao mesmo tempo, tocou-nos profundamente, chamando-nos à conversão pessoal e comunitária, para «ser missão» num mundo renovado pelo Evangelho de Jesus”, lê-se na mensagem.

Para os participantes na Assembleia Intercapitular, realizada em Roma de 9 a 29 de setembro de 2018, “a missão, hoje mais que nunca, pede coerência de vida e uma espiritualidade cada vez mais próxima a Jesus e ao seu projeto. Não podemos viver a missão sem levar a sério o seu chamamento à santidade”.

“O nosso carisma é claro e dinâmico, mas deve retornar às fontes que o renovam”, afirma a mensagem.

“O novo paradigma da missão, do qual fala o Capítulo, deve surgir da relação afetiva com a Trindade e tornar-se serviço à comunhão, gerador de novas relações humanas baseadas na justiça e na misericórdia. Estas relações de fraternidade devem renovar-nos a partir de dentro, levar-nos a uma opção radical pelos mais pobres e a cuidar da «casa comum». Somos discípulos missionários do Senhor ressuscitado, que devolvem aos povos e à criação a dignidade que receberam do Deus-Amor desde o princípio”, escrevem.

Durante o período da Assembleia Intercapitular, “preocupações e esperanças” mexeram com os participantes:

- Escrevemos uma carta ao Papa Francisco para expressar a nossa proximidade e apoio nas escolhas que cada vez mais parecem isolá-lo, mesmo dentro da Igreja.

- Acompanhamos com alegria os esforços de paz no Sudão do Sul e entre a Etiópia, a Eritreia e a Somália, as etapas de reaproximação das duas Coreias e os desenvolvimentos de um novo diálogo entre a Igreja e o governo chinês com o acordo sobre a nomeação dos novos bispos.

- Partilhámos a dor das famílias no naufrágio recente no Lago Vitória, Tanzânia, e pelas vítimas de eventos climáticos extremos nas Filipinas, China, Estados Unidos e Nigéria. São apelos para incluir nas nossas preocupações missionárias também a grave crise socioambiental, provocada pelo atual modelo neoliberal de produção e consumo.

- Condenámos o massacre dos civis inocentes na cidade de Beni, no Kivu do Norte, República Democrática do Congo, bem como as vítimas de grupos fundamentalistas pelo controle de recursos no norte de Moçambique.

- Rezámos pelo Pe. Pierluigi Maccalli, SMA, sequestrado por fundamentalistas islâmicos no Níger.

- Lamentámos a morte de mais de cem migrantes no Mediterrâneo e refletimos sobre a vida precária de muitos migrantes que fogem da guerra, da fome e das mudanças ambientais em muitas partes do mundo.

- A situação sempre preocupante da República Centro-Africana e a crise na Venezuela e na Nicarágua não nos deixaram indiferentes.

- Vimos nesta humanidade sofredora o povo da promessa, a caminho dos novos céus e nova terra (2Pe 3, 13) onde a justiça terá uma morada permanente. Cabe a nós missionários preparar e abrir este caminho!

No final do encontro, todos se comprometeram a renovar o carisma missionário recebido de Comboni, “a quem repetidamente invocámos na nossa assembleia”.

“Que seja ele a conduzir-nos neste tempo e a projetar-nos com esperança no futuro. A ele, finalmente, confiámos o trabalho nestes dias”, conclui a mensagem.

Leia AQUI a mensagem completa.