domingo, 31 de janeiro de 2021

OS CRISTÃOS E A POLÍTICA Frei Bento Domingues, O.P.

 

1. Alguns cristãos de várias denominações (católicos, metodistas, evangélicos, anglicanos, menonitas e presbiterianos) uniram-se em valores base para as eleições presidenciais, mediante a assinatura de um Manifesto. O 7Margens divulgou-o. Não teve a cobertura mediática que a sua significação merecia, não tanto pelo seu número, mas pelo próprio gesto ecuménico, em consonância com o oitavário de oração pela unidade dos cristãos. Mais a diante, tentarei mostrar o seu alcance no contexto da nova teologia política.

Sou dos que se manifestaram contra a febre da criação de partidos confessionais em Portugal, a seguir ao 25 de Abril de 1974[1]. A eclesiologia do Concílio Vaticano II (1962-1965) tinha superado o papel que, no passado, tinha justificado as chamadas democracias cristãs[2]. Era preciso evitar o uso do nome de Cristo, directa ou indirectamente, para cobertura de práticas económicas, sociais, culturais e políticas em contradição com a sua mensagem e a sua intervenção histórica testemunhada no Novo Testamento.

Muitos cristãos que, nessa altura, se manifestaram contra partidos confessionais envolveram-se em várias organizações políticas, como era normal no pluralismo que se defendia. Para muitos dos católicos, que tinham perdido a esperança nas reformas da Igreja, que o referido Concílio tinha proposto – os chamados vencidos do catolicismo –, o envolvimento na política partidária passou a ser um substituto da religião. Acabaram por engrossar a ambígua designação dos chamados católicos não praticantes.

E. Schillebeeckx (1914-2009) conta o que observou, nos EUA, em poucos anos de distância, em que a política era tudo, para se tornar quase nada, e as religiões sem Deus passarem a ser quase tudo. Não era uma situação exclusiva dos EUA. Este teólogo apresenta, no entanto, a forma de superar o exclusivo da política e o mundo das religiões sem Deus, por uma nova inteligência prática do Evangelho. A identidade cristã é continuamente desafiada. Só pode afirmar o seu inconfundível sentido, se ela própria se apresentar como novo desafio global, de geração em geração[3].

J. B. Metz (1928-2019) tentou, ao longo da sua vida, elaborar uma nova teologia política. Foi numa conferência, em Valadares, que nos deixou uma das últimas exposições da sua ideia de um cristianismo da compaixão, no século da globalização.

Para ele, o cristianismo da compaixão é um tema bíblico central. Apresentou uma explicação breve a partir das tradições do Novo Testamento. A atenção especial de Jesus, de certo modo o seu primeiro olhar, não se dirigiu ao pecado dos outros, mas ao sofrimento que eles padeciam. Esta sensibilidade radical ao sofrimento alheio caracteriza o Seu modo novo de viver.

Isto nada tem a ver com uma atitude dolorista, com um desgraçado culto do sofrimento. A paixão de Jesus por Deus está ligada à mística da compaixão pelos que sofrem. Esta é a raiz do cristianismo. É neste ponto que os cristãos devem ser interrogados: não terão os cristãos, ao longo do tempo, compreendido e praticado um cristianismo exclusivamente como uma religião sensível ao pecado e pouco sensível ao sofrimento? Não baniram os cristãos, demasiado depressa, do anúncio cristológico, a pergunta, o grito por Deus, perante a história do sofrimento do mundo? A compaixão exige a preparação para uma mudança do olhar, na linha de Mateus 25, 31-46, que pode ser expressa pelo imperativo categórico de H. Jonas: Repara, olha e ficas a saber.

Não basta ficar a saber. A mística cristã da aliança entre Deus e os seres humanos é diferente das religiões de olhos fechados, do Extremo Oriente. É uma mística de olhos abertos que não suporta a política que gera ódio, sofrimento e morte. Por isso, a mística da compaixão não é sentimental. Gera uma mística da alteração do mundo, uma mística de sensibilidade e ética políticas[4].

2. Referi, no começo desta crónica, o Manifesto ecuménico marcado por uma concepção religiosa e cristã que não vive de olhos fechados para o que se passa fora do espaço geográfico da igreja, do templo ou da mesquita, no exclusivo da oração particular com Deus, mas em toda a vida: em casa, com a família, nos relacionamentos, no trabalho e, como não pode deixar de ser, também na vida cívica e em sociedade.

Para os signatários do Manifesto, no contexto da eleição para a Presidência da República, impõe-se aos cristãos retomar a pergunta dirigida a Jesus, no Evangelho de Lucas, como critério determinante do processo decisório do seu voto: Quem é o meu próximo?[5].

Na parábola do samaritano, toda a mensagem de Deus através de Jesus se consubstancia no encontro, na relação, nomeadamente daqueles que mais estão afastados de nós, dos que estão a ser oprimidos ou dos que sofrem. Qualquer voz que nos coloque contra estes irmãos, não é a voz de Deus. 

Hoje, diante de propostas políticas que abertamente procuram dividir, de forma maniqueísta, a sociedade entre bons e maus, puros e impuros – negando o direito de asilo aos refugiados e segregando etnias; impedindo um processo de reintegração dos presos e sonegando a assistência aos mais pobres dos pobres – a pergunta do Evangelho é-nos devolvida, de novo, com maior agudeza, responsabilizando-nos, agora, como protagonistas da históriadiante destas injustiças de quem é que me faço próximo?

3. Tanto as perspectivas do cristianismo da compaixão como as do Manifesto citado, que deve ser lido na íntegra, não dispensam uma nova reconsideração da política. É o Papa Francisco que o lembra: «Actualmente, muitos possuem uma má noção da política e não se pode ignorar que, frequentemente, por trás deste facto, estão os erros, a corrupção e a ineficiência de alguns políticos. A isto vêm juntar-se as estratégias que visam enfraquecê-la, substituí-la pela economia ou dominá-la por alguma ideologia. E, contudo, poderá o mundo funcionar sem política? Poderá encontrar um caminho eficaz para a fraternidade universal e a paz social sem uma boa política?

«(…) Penso numa política salutar, capaz de reformar as instituições, coordená-las e dotá-las de bons procedimentos, que permitam superar pressões e inércias viciosas. Não se pode pedir isto à economia, nem aceitar que ela assuma o poder real do Estado»[6].

Fizeram bem aqueles que entregaram aos deputados a Encíclica do Papa, Fratelli Tutti. Faremos melhor se a praticarmos sem esperar por nova época de eleições.

31. Janeiro. 2021



[1] 25 Abril. Textos cristãos. Novembro 25, Ulmeiro 1977, pp. 22-26

[2] Cf. Ernesto Balducci, L’église des démocraties chrétiennes. Une rupture necessaire, in Lumière & Vie, 132, pp. 103-117

[3] Cf. A Identidade Cristã, in Deus no século XXI e o futuro do cristianismo (Coord. Anselmo Borges), Campo das Letras, 2007, pp. 405-429

[4] Cf. Sobre o Futuro do Cristianismo na Europa da Século XXI, in Deus no século XXI e o futuro do cristianismo (Coord. Anselmo Borges), Campo das Letras, 2007, pp. 431-442

[5] Lc 10, 25-37

[6] Fratelli Tutti, 176 e 177

sábado, 30 de janeiro de 2021

NATAL PARADOXAL - LAURO PORTUGAL

 


Paradoxal:
não há paz no Natal,
segurança não há para ninguém
nem um segundo,
as guerras continuam em Belém,
as guerras continuam pelo mundo.
A gente não se entende,
hoje um botão se acende,
e basta um dedo,
sem dó, sem medo,
sem coração,
uma leve pressão,
e deste mundo louco
nada se salvará ou muito pouco.
Os homens não aprendem nada, nada,
pela estrada da História, repisada. (Continua)


Por Lauro Portugal, Associação dos Antigos Alunos Combonianos
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A economia de Francisco – 3 - UAASP

                                    COMO REAGIR À CRISE ?


 "No discurso de 22 de Dezembro à Cúria Romana, o Papa Francisco dá-nos pistas seguras de como reagir à presente crise, que não é só sanitária, mas económica, social e até eclesial. 

Antes de mais, distingue entre crise e conflito, pois que a crise, geralmente, tem uma saída positiva. O conflito cria sempre um contraste, uma competição, um antagonismo aparentemente sem solução entre sujeitos divididos em amigos a amar e inimigos a combater, Cada um de nós interrogue-se se quer seguir Jesus com a docilidade dos pastores ou com a auto-protecção de Herodes; se quer segui-lo na crise ou defender-se dele no conflito. Convida-nos ainda a mantermos uma grande paz e serenidade, porque estamos cobertos com a misericórdia do Senhor que nunca nos abandona." (Continua) VER MAIS       

Por P. Carlos Vaz, ASSASBraga

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domingo, 24 de janeiro de 2021

VIVEMOS NO TEMPO, NÃO NA ETERNIDADE Frei Bento Domingues, O.P.

 

1. Algumas pessoas telefonaram-me para dizer que o 3º ponto da minha crónica do Domingo passado não respeitava nem o Papa Francisco nem João Paulo II. Chamava bilhetinho desnecessário e, por isso, irónico à Carta Apostólica, Spiritus Domini, do Papa Francisco. Insinuava que Bergoglio recorria a esse estilo por causa da Carta Apostólica de João Paulo II, Ordinatio Sacerdotalis (22.05.1994), da qual deixei apenas a conclusão: «A ordenação sacerdotal, mediante a qual se transmite a função confiada por Cristo aos apóstolos, de ensinar, santificar e reger os fiéis, foi reservada sempre, na Igreja Católica, exclusivamente aos homens».

    Poderia ter sido útil avisar que esta referência se inscreve nas declarações de Paulo VI, de João Paulo II e nos comentários dos Prefeitos da Congregação para a Doutrina da Fé, J. Ratzinger e L. Ladaria. No entanto, o sentido eclesial das minhas intervenções exige o exercício responsável da liberdade, sem o qual, o debate teológico não tem qualquer sentido.

     Exprimi uma preocupação que é também um desafio. As mulheres lutam, na sua diferença, por um estatuto igual ao dos homens na vida familiar, profissional, cívica, cultural e política. Muitas queixam-se de que, no interior da Igreja católica, a sua diferença é afirmada pela exclusão. Por serem mulheres não são chamadas para exercer os ministérios ordenados que, na organização actual, resultam do sacramento da Ordem e do qual dependem os diáconos, os presbíteros e os bispos.

É na Igreja, a comunidade dos baptizados, que tanto homens como mulheres podem ser convocados para determinados serviços e encargos. Não são nem as mulheres nem os homens que podem atribuir-se, a si próprios, essas funções como se fosse um direito. É apenas o acolhimento da graça de servir.

Pela decisão de João Paulo II, as mulheres nunca foram nem serão chamadas ao presbiterado e, com maior razão, ao episcopado. Esta clareza, do ponto de vista da interpretação do Novo Testamento, não é tão clara como parece. Não é apenas em relação a outras Igrejas cristãs, também não é uma questão tranquila no seio da Igreja católica. Há quem julgue que Roma deu por terminado, demasiado depressa, um debate (1976/1994) que está muito longe de ter esgotado os caminhos de um desejável consenso. O próprio conceito de apostolicidade continua em discussão, no Movimento Ecuménico[i].

Kevin Madigan e Carolyn Osiek publicaram uma obra, bastante abrangente, sobre as mulheres ordenadas na Igreja primitiva. É uma história documentada e que recomendo vivamente.

Nessa história, trabalhada com rigor, aparece uma passagem curiosa que nos diz directamente respeito. Bento VIII (1012-1024) escreveu uma carta ao bispo do Porto, em 1017. Nessa carta, confirma algumas concessões e certos privilégios a esse bispo, entre os quais se encontram os seguintes: «Do mesmo modo, vos concedemos e te confirmamos e aos teus sucessores para a eternidade toda a ordenação episcopal (ordinationem episcopalem), não só de presbíteros, mas também de diáconos ou diaconisas (diaconissis) ou subdiáconos».

Os editores da obra referida anotaram: Apesar de todos os esforços anteriores dos Concílios do Ocidente de eliminar as diaconisas, é surpreendente encontrar um papa, nos inícios do século XI, que não só reconhece o ofício das diaconisas, mas que admite que o rito da iniciação é uma ordenação[ii].

O livro Mulheres diáconos – Passado, presente, futuro observa que João Paulo II e Bento XVI não fizeram nada para restaurar o diaconado ordenado das mulheres. Só em 2016, é que o Papa Francisco começou a agir, convocando uma Comissão para estudar a questão em seu nome[iii].

2. Não devemos ficar, apenas, com a problemática do acesso das mulheres ao diaconado, embora se tenha realçado: o diaconado das mulheres tem de ser inferior ao dos homens. A grande dificuldade, no entanto, é acerca da ordenação presbiteral das mulheres. Sobre esta pesa uma sentença imobilizadora.

A tentação de respostas definitivas, a questões sujeitas ao devir imprevisível dos acontecimentos, é de quem se situa fora do tempo ou usurpa a visão de um Deus desencarnado que não é, propriamente, o Deus de Jesus Cristo, o Emmanuel, companheiro da viagem dos seus irmãos e irmãs.

As definições dogmáticas, as decisões dos concílios, as orientações da pastoral, são sempre pronunciamentos marcados pelo tempo e pelos desafios que tiveram e têm de enfrentar. Pretendem ser orientações para que os cristãos não se percam na viagem. Não podem pretender substituir o Espírito Santo Criador, que sopra quando quer, como quer e onde quer, sem pedir licença a ninguém e sem qualquer arbitrariedade.

3. António Marujo conta que, num seminário internacional promovido pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica, sobre a figura do Jesus histórico, o biblista Joaquim Carreira das Neves afirmou que as mulheres eram discípulas de Jesus «em grau de igualdade com outros homens e mulheres que acreditavam em Jesus como profeta messiânico».

A nossa actualidade não se pode desligar do estudo crítico da vida das primeiras comunidades cristãs. Os exegetas concordam cada vez mais em dizer que as mulheres acompanharam os dois ou três anos de vida pública de Jesus. No mesmo seminário, Frédéric Manns, investigador e ex-director do Studium Biblicum Franciscanum, de Jerusalém, afirmou uma evidência: «havia mulheres no grupo de permanentes que acompanhava Jesus. Esta era, porém, uma atitude tanto mais ousada quanto, no judaísmo da época, as mulheres eram marginalizadas ao ponto de não servirem como testemunhas».

Nesse mesmo seminário, Carreira das Neves viu nos textos dos Prefeitos da Congregação para a Doutrina da Fé, declarações de tipo "pastoral" e não dogmático que, por isso, deixam espaço para prosseguir a discussão[iv].

Giancarlo Pani, num interessante artigo traduzido para a Unisinos, recorda que é um facto histórico inegável o da exclusão das mulheres do sacerdócio por serem mulheres. Mas observa que, já em 1948, muito antes das contestações dos anos 1970, o P. Congar – a maior figura da eclesiologia católica – recordava que, «pelo facto de que a Igreja não tenha feito uma coisa (...) não é sempre prudente concluir que a Igreja não a possa fazer e que nunca a fará»[v].

Observação luminosa que pode ajudar em muitas questões sobre as quais continua a imperar a sentença paralisante: isso nunca foi e nunca será.

Para dizer isto, alguns Papas empenharam a sua autoridade. Quando se trata de alterar algo que se impõe como uma urgência, dizem que não podem ir contra a tradição.

 

24. Janeiro.


[i] Cf. Michael Theobald, Apostolicidad en la Iglesia. Un conflict desde una perspectiva neotestamentária, in Selecciones de Teología, nº 235, 2020, 179-186; Wolfgang Beinert, Apostólico. Anatomía de un concepto, in Selecciones de Teología, nº 180, 2006, 269-283.

[ii] Cf. Kevin Madigan y Carolyn Osiek (eds.), Mujeres ordenadas en la Iglesia primitiva. Una historia documentada, Madrid, Aletheia / evd, 2006, p. 219

[iii] Gary Macy, William Ditewig e Phyllis Zagano, Ed. Paulinas, 2019

[iv] Cf. Público, 14. 04. 2006

[v] As “mulheres diácono” na era apostólica e subapostólica, Revista IHU on-line, edição 546

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

VEM ESPÍRITO SANTO CRIADOR! Frei Bento Domingues, O.P.

 

1. Quando se pretende desqualificar as intervenções e os escritos do Papa Francisco, diz-se que lhe falta um pensamento estruturado por grandes princípios de alcance universal. Deixa-se levar pelas urgências da pastoral marcada pelo tempo, pelo lugar, pelas circunstâncias e pela vida e aflições das comunidades.

Parece-me uma observação bastante ridícula. Bergoglio não foi eleito para reitor de uma universidade pontifícia, mas para cuidar, segundo o Espírito e o método do irmão Jesus de Nazaré, das fraternidades cristãs, de modo que estas sejam o fermento de um mundo de irmãos[1].

Para caracterizar a sua tarefa, Jesus usou a palavra pastor porque, na sua cultura, era a que melhor designava aquele que vai à frente e cuida de todos. João XXIII, na Mensagem inaugural ao Vaticano II, observou que importa ter em conta, «medindo tudo nas formas e proporções do magistério de carácter prevalentemente pastoral». Não opunha Teologia e Pastoral. Ele próprio nomeou alguns dos teólogos mais famosos pela sua abertura ao devir do mundo concreto. Ele não desprezava o contributo dos teólogos, antes pelo contrário. O que não lhe interessava era teólogos descolados do mundo em mudança.

K. Rahner e E. Schillebbekx, no primeiro número da revista Concilium, marcaram o que deve ser a nova orientação da Teologia: a necessidade de uma análise da hodierna experiência da existência humana à luz da revelação. Por toda a parte onde há vestígios da existência humana, essa existência é atingida e chamada pelo Deus vivo da salvação. Assim, a experiência existencial do ser humano, em qualquer parte onde se encontre, é sempre um locus theologicus, um lugar de descobertas para a convicção vital religiosa. O P. Chenu, o teólogo dos sinais dos tempos e dos mais influentes no desenrolar do Vaticano II, caracterizou bem a complementaridade entre teologia e magistério pastoral[2].

O Papa Francisco dirigiu-se, várias vezes, a algumas Faculdades de Teologia e à Comissão Teológica Internacional, para que as suas investigações e práticas cheirassem a “ovelhas”, a “povo”. Não era para diminuir a necessidade de rigor na investigação, mas para que esta não viva descolada do mundo real em contínua mudança.

Repetiu-se que a doutrina social da Igreja não se devia meter com situações concretas, sujeitas à mudança. Para manter as mãos limpas acabava por não ter mãos. A Igreja viria do eterno e caminharia para a eternidade, mas sem dizer por onde passava e com quem caminhava. De facto, o Papa Francisco situa-se num plano muito diferente: o abstrato paralisa-nos, mas focar-nos no concreto abre caminhos de possibilidades. É esta a posição que defende no seu novo livro, Sonhemos Juntos[3]. O 7Margens fez uma pré-publicação do início do primeiro capítulo: «Tem de se ir às periferias se se quer ver o mundo como ele é». Segue o conhecido método da Acção Católica: ver, julgar e agir.

2. Jesus de Nazaré não deixou nada escrito. Os primeiros escritos cristãos, os de S. Paulo, oferecem a sua experiência do Ressuscitado e as implicações que a sua experiência teve, para mostrar as superações da Lei antiga e a inclusão do mundo todo na graça universal de salvação. Esta deixou de ser o exclusivo do povo de Israel.

Se ficássemos só com os textos de S. Paulo, não sabíamos nada de concreto acerca do itinerário do Nazareno. A construção das narrativas dos quatro Evangelhos permite ter imagens e discursos retrabalhados do seu itinerário: as suas opções, os colaboradores que escolheu, as atitudes, as intervenções e as parábolas que elaborou para vencer o mundo das muitas formas de exclusão. De facto, encontrou-se com a exclusão criada pela religião oficial em que tinha sido formado: cegos, surdos, leprosos, possessos, publicanos e, mais radicalmente, as mulheres. Sobre essas situações concretas, não fez declarações abstractas: viu, julgou e agiu.

Como não foi Ele que escreveu essas narrativas, o que temos são as interpretações dos autores dos quatro Evangelhos e dos Actos dos Apóstolos e das comunidades em que se inscreviam, muitos anos depois do que aconteceu a Jesus. Mas todas as narrativas, ditas canónicas, têm o mesmo assunto e o mesmo propósito, realizados segundo a significação que revestiam para as comunidades em que surgiram. Não falam de um mito, mas de alguém muito humano situado numa época e num mundo que, hoje, pode e é estudado com bastante verosimilhança.

Os escritos tiveram o cuidado de referir tudo a Jesus Cristo e ao seu Espírito criador. Para Ele, o Espírito de Deus não era a sua propriedade privada, mas a sua presença criativa no mundo e na Igreja.

As comunidades, na sua criatividade, nunca prescindiram dessa referência explícita ao Nazareno e ao seu Espírito.

Eram, no entanto, conscientes de que o Espírito de Cristo não se esgotou na criatividade da época apostólica, quer na referência ao número simbólico dos Doze – as 12 tribos de Israel –, como aos 72 discípulos enviados em missão – número simbólico das nações gentias.

3. Uma questão que está sempre em estudo, sem nenhuma conclusão, é o papel das mulheres na Igreja e nos chamados ministérios ordenados como, por exemplo, o da presidência da Eucaristia.

O Papa Francisco acaba de publicar uma Carta Apostólica sob a forma de «Motu Proprio», Spiritus Domini. É tão breve que se pode chamar um bilhete cheio de ironia. Diz que «Os leigos que tiverem a idade e as aptidões determinadas com decreto pela Conferência Episcopal, podem ser assumidos estavelmente, mediante o rito litúrgico estabelecido, nos ministérios de leitores e de acólitos; no entanto, tal concessão não lhes atribui o direito ao sustento ou à remuneração por parte da Igreja».

Posso estar muito enganado, mas esta Carta é um exercício magnífico de ironia pastoral. Bergoglio tem-se esforçado por realçar que o lugar das mulheres na Igreja está muito desfasado em relação ao papel que desempenham na vida social, cultural, económica e política em muitos países. Homens e mulheres gozam cada vez mais, ainda com muitas distorções, dos mesmos direitos e deveres cívicos.

No entanto, o Papa Francisco esbarra com a Carta Apostólica de João Paulo II, Ordinatio Sacerdotalis (22.05.1994): «A ordenação sacerdotal, mediante a qual se transmite a função confiada por Cristo aos apóstolos, de ensinar, santificar e reger os fiéis, foi reservada sempre, na Igreja Católica, exclusivamente aos homens». Esta Carta precisa de uma hermenêutica rigorosa que mostre que ela continua com as imagens de um mundo que está condenado a desaparecer.

Ao publicar um Motu Próprio sobre o que já não precisava de nenhuma publicação, o Papa Francisco manifesta o ridículo da situação actual.

Rezemos: Vem Espírito Santo Criador!

 

 

17. Janeiro. 2021



[1] Hb 2; Mt 23, 8. O Papa Francisco recordou tudo isto na Fratelli Tutti

[2] Cf. Concilium, Janeiro de 1967, 82-91

[3] Sonhemos Juntos. O Caminho para um futuro melhor, edições Planeta

sábado, 16 de janeiro de 2021

O Seminário deixa sempre boas recordações . UASP


 "Ao reler o Programa dos Seminários Arquidiocesanos de Braga do ano letivo 1966/67 com a capa alusiva ao cinquentenário das Aparições de Fátima, levou-me a escrever mais este texto sobre uma instituição que jamais esquecerei por tudo aquilo que nela adquiri. Foi uma das dádivas mais preciosas que auferi durante toda a minha vida, porque me abriu horizontes que me têm guiado neste meu caminhar." VER MAIS


Por Salvador de Sousa, ASSABraga

domingo, 10 de janeiro de 2021

UM MERGULHO NO MAR DE DEUS Frei Bento Domingues, O.P.

 

1. É um prazer ler um texto político com a qualidade da Carta aberta, editada com o título: Convite aos cidadãos e líderes para um novo poder democrático europeu[1]. Espero que suscite um movimento de experiências, estudos e debates fecundos «para enfrentar os imensos desafios ecológicos, económicos, sociais, de saúde e de segurança que incumbem às nossas sociedades». Desejo que este convite encontre um grande eco entre os cristãos, para que a Europa não ceda à tentação de levantar muralhas, mas de tecer pontes entre continentes. Sem a lucidez da ética da compaixão, a Europa perder-se-á na vontade de dominar e de excluir, tanto no interior de cada país, como na relação entre os membros da União e no acolhimento aos que fogem de guerras, da miséria e dos que procuram um futuro melhor para as suas famílias.

O grande teólogo protestante, W. Pannenberg, tocou, em 1994, num ponto que conserva, ainda hoje, toda a sua pertinência: a Europa não pode, sem mais nem menos, desembaraçar-se das suas origens cristãs, se pretende conservar o que é especificamente europeu na sua tradição cultural. Mas isso pressupõe que o Cristianismo não se apresente sectário, embora também não se possa dissolver na acomodação ao secularismo. Deve, antes, prosseguir no caminho de preservar, em si próprio, o melhor da herança da Antiguidade clássica – e assim a abertura à Razão – mas também as verdadeiras conquistas da cultura moderna e contemporânea[2].

Pannenberg  não podia prever o que aconteceu com a eleição do Papa Francisco e o que ele trouxe de novo, não apenas no campo do ecumenismo, do diálogo inter-religioso, mas no da intervenção na sociedade, fazendo das periferias o centro dos seus gestos, intervenções  e documentos, incitando todas as pessoas, dentro ou fora de qualquer religião, a descobrir e agir segundo o que há de latente em todos os seres humanos: tornarmo-nos todos irmãos – fratelli tutti. Os mais velhos, como eu, depois da morte de João XXIII e do longo esquecimento do espírito das suas inovações, apenas podiamos sonhar com o novo clima em que estamos a viver.

O modo como ajudou os cristãos, pelo seu próprio exemplo e orientações, sabendo gerir e integrar as celebrações dos ciclos litúrgicos da Páscoa e do Natal – com enormes restrições de participação presencial – permitiu sentir, de muitas formas, a proximidade afetuosa dos seus cuidados por todos.

2. Com a semana da Epifania, chegou ao fim o ciclo do Natal que constitui a condição de possibilidade de tudo o que diz respeito ao Cristianismo. Foram celebrações da ternura divina e humana centrada na família: família de Deus, família de Jesus, nascimento do mundo como família a realizar.

Apesar de já vermos alguma luz trémula ao fundo do túnel da pandemia, enfrentamos os desafios da desordem global. Os caminhos dos mais poderosos, e dos seus aprendizes, são caminhos que ensaiam novas formas de loucura política, servidas por novos e poderosos meios de comunicação.

 É verdade que o próprio Cristianismo está confrontado com imensos desafios: indiferença, secularismo agressivo, perseguições aos cristãos em vários pontos do globo, novos movimentos fundamentalistas político-religiosos e outros que referi na crónica do Domingo passado, ao evocar o ensaio de T. Halík. A questão prática é esta: onde encontrar inspiração e energia para lhes fazer face?

3. Este é o Domingo dedicado a aprofundar essa questão.  Segundo as narrativas dos quatro Evangelhos, Jesus de Nazaré levou muitos anos a encontrar o seu caminho. Quando pensava que o tinha encontrado como discípulo do austero João Baptista – foi por ele baptizado no rio Jordão –, teve uma experiência, durante a oração, que provocou uma viragem radical na sua vida: Deus não era o moralista que a pregação de João supunha e apresentava. Depois de sair do mergulho nas águas do Jordão, sentiu-se mergulhado no Espírito do mar de Deus donde lhe veio a íntima voz da pura graça do Amor: Tu és o meu filho muito amado; eu, hoje, te gerei. Então, o Espírito leva-o ao deserto para um longo retiro, durante o qual, é assaltado por tentações diabólicas, as tentações das expectativas do messianismo político-religioso[3]. São as tentações da dominação económica, política e religiosa, que Jesus recusou sem contemplações.

S. Lucas acrescenta que não são tentações que se vençam de uma vez para sempre: Tendo acabado toda a tentação, o diabo o deixou, até outra ocasião mais oportuna.

Regressando a Nazaré, onde fora criado, entrou, em dia de sábado, na sinagoga e apresentou o seu programa, servindo-se de uma passagem do profeta Isaías: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos, a proclamar um ano da graça do Senhor, um jubileu.

Depois, acontece algo de insólito que vai provocar a vontade de acabarem com Ele. Jesus tinha entregue o livro ao servente e, sentando-se, declarou que estava a cumprir-se o que acabava de ser lido. O público estava atento. Notou que fechara o livro como se mandasse na palavra sagrada, ao evitar o dia da vingança de Deus. Para o Nazareno, de Deus só pode vir amor. João dirá mesmo que Deus é amor de pura gratuidade. Em Deus não há ódio nem vingança e o que importa é nascer desse e para esse amor.

Jesus começou a realizar o seu programa contra a vontade de escribas e fariseus: o seu mundo era o dos excluídos, fosse qual fosse o motivo. Foi nos seus discípulos que também encontrou resistências porque eles tinham aderido ao seu chamamento, julgando que eram escolhidos para uma carreira económica, política e religiosa, o que levava a disputas entre eles para saberem quem seria mais privilegiado. Aí, Jesus não cede: quem quiser ser o primeiro ponha-se ao serviço de todos. No entanto, ainda depois da experiência da ressurreição, continuam a sonhar com uma carreira de poder. Jesus parece sentir-se impotente perante o renascer contínuo, na Igreja, do messianismo que tinha vencido e declara: só quando acolherdes o Espírito de Deus, o Espírito da minha vida, podereis entender o que é o programa da minha intervenção na história do mundo e da Igreja, a começar pelos seus líderes.

Isto significa que a cedência ao mundanismo e o renascimento no Espírito de Cristo é uma história a retomar em cada geração.

Não se admirem que tenha de voltar a esta questão.

 

10. Janeiro. 2021

 



[1] Cf. Público, 04.01.2021

[2] Cf. Wohlfart Pannenberg, As Igrejas e o nascer da unidade da Europa, in Communio, nº 4 Julho/Agosto 1994, pp. 339-351

[3] Cf. Mc 1, 9-13; Mt 3, 13 - 4,11; Lc 3,21 – 4, 13; Jo 1, 31-34

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A EPIFANIA À PROCURA DE NOVAS LINGUAGENS Frei Bento Domingues, O.P.

 

1. Desde Março até ao final de 2020, vivemos, de modos diversos, uma longa noite. Repetia-se a frase pouco alentadora: “ainda não vemos nenhuma luz ao fundo do túnel”.

 A investigação científica é um processo. Como é evidente, o cientista não pode prever, à partida, os resultados do seu caminho. Agora, a vacina contra a Covid-19 existe e já começou a ser distribuída. É a epifania da conjugação feliz da ciência, da técnica e da ética política, ao serviço de todos. O Papa Francisco pede que a vacina seja para todos e, em primeiro lugar, para os mais vulneráveis.

É verdade que o final de 2020 e o início de 2021 ainda não podem ser celebrados com euforia, porque a vacina vai levar algum tempo a ser generalizada e testada a sua eficácia. Importa manter os cintos apertados até ao fim da viagem para reduzir o perigo de algum imprevisto.

As resistências ao acesso universal à vacina podem surgir por várias sem-razões. A política que aposta em manter e aumentar as grandes desigualdades entre países, e no interior de cada país, não pode aceitar que os seres humanos sejam todos irmãos, com os mesmos direitos e deveres. Acaba de ser traduzida, para português, a nova obra de Thomas Piketty na qual faz a história social, económica e ideológica da desigualdade[1]. Não estamos condenados a sofrer a intoxicação legitimadora do crescimento das desigualdades criminosas.

2. A celebração cristã da Epifania pertence ao ciclo do Natal, à irrupção de Deus na carne do mundo. Nada nos faz pensar que a Igreja primitiva pretendesse celebrar, nesses dias, o aniversário do nascimento de Jesus. De facto, revelam-se infrutíferas as tentativas de fixar a época do ano em que Jesus nasceu.

 A história da sua liturgia é muito complexa e resulta, não de acontecimentos históricos datáveis, mas de razões de inculturação das convicções cristãs mais ousadas. As suas experiências e interpretações estão sempre marcadas pelos mundos culturais em que se desenvolvem. Não se trata de operações oportunistas e indiferentes à investigação da verdade, mas de fidelidade à matriz incarnacionista do cristianismo. O que parece mais verosímil pode ser dito assim: o Ocidente exportou para as Igrejas do Oriente a festa do Natal; o Oriente, por sua vez, exportou para o Ocidente a festa da Epifania[2].

Em Portugal, a festa litúrgica dos Reis Magos (Epifania) é, agora, celebrada no primeiro Domingo de Janeiro. A sua significação é apresentada em quatro textos: dois do Antigo[3] e dois do Novo[4] Testamentos. A escolha é comandada pela narrativa de S. Mateus. Ela, por seu lado, reflecte um caminho praticado, de formas diferentes, pelas comunidades cristãs, marcadas pela vitória da pregação de S. Paulo. A graça de Deus, manifestada em Jesus Cristo, é uma oferta universal sem acepção de pessoas, povos ou culturas. Ele que era judeu não fez depender da observância da Lei de Israel o acesso à salvação de Deus: Os gentios são admitidos à mesma herança, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho. Acabaram os privilégios religiosos: todas as pessoas, de todos os mundos, estão no coração de Deus.

Podemos dizer que todas as narrativas, dos chamados Evangelhos da Infância, estão marcadas por este universalismo. S. Lucas, adepto da visão de Paulo, vai ao ponto de fazer do mítico Adão o antepassado directo de Jesus Cristo. Ele assumia, no presente, todo o passado da humanidade e todo o futuro.

Não basta dizer que a salvação é uma graça da pura generosidade de Deus. Isso está certo, mas não dispensa os esforços da tacteante caminhada humana. S. Mateus imaginou uns Magos, vindos do Oriente, pessoas dedicadas à investigação, nos ziguezagues da vida, da “estrela” que dê sentido à nossa noite.

Todos os anos faço, por esta altura, a releitura de Os Três Reis do Oriente, de Sophia de M.B. Andresen[5]. Na figura de Baltasar manifesta-se a procura da originalidade cristã de Deus:

«(…) Dizei-me onde está o altar do deus que protege os humilhados e os oprimidos, para que eu o implore e adore. Ao cabo de um longo silêncio, os sacerdotes responderam: – Desse deus nada sabemos.

«Naquela noite o rei Baltasar, depois de a Lua ter desaparecido atrás das montanhas, subiu ao cimo dos seus terraços e disse: – Senhor, eu vi. Vi a carne do sofrimento, o rosto da humilhação, o olhar da paciência. E como pode aquele que viu estas coisas não te ver? E como poderei suportar o que vi se não te vir?»

3. Em 2018, as Edições Paulinas, depois de terem publicado quatro obras de Tomáš Halík, apresentaram Diante de Ti, os meus caminhos, que conta o itinerário da sua vida, marcado pela vontade da construção de pontes entre crentes e ateus, católicos e evangélicos, religiões cristãs e não cristãs, entre a Igreja e a sociedade, a fé e a cultura, a Igreja e a universidade, entre a nossa identidade nacional, entre gerações, entre as diferentes disciplinas das humanidades, entre a assistência espiritual e a psicoterapia…

Agora, manifesta a sua indignação perante novos movimentos tribais que são a negação de todas essas experiências. 7Margens[6] publicou um ensaio recente e militante deste teólogo para responder à seguinte questão: O que têm em comum os terroristas que proclamam slogans religiosos, os apoiantes cristãos de Donald Trump, os radicais pró-vida, os adversários do Papa Francisco que lhe enviam “correcções filiais”, as bandas de guerrilha que afirmam “defender o homem heterossexual branco”, ou Jarosław Kaczyński e os esforços para transformar a Polónia num Estado católico autoritário?

Trata-se de um texto a não perder porque, também em Portugal, já existem partidos e grupos afectados por esta patologia político-religiosa.

As celebrações da Epifania precisam de linguagens em criação permanente porque só a beleza redime. Já falei, nestas crónicas, das novas linguagens da arquitectura cristã. Existe também um movimento de renovação na música litúrgica, que oscila entre a recriação de uma herança musical litúrgica e uma “via culturalizante, abrindo a liturgia aos diferentes idiomas musicais disponíveis”.

Alfredo Teixeira e João Andrade Nunes manifestaram ao 7Margens os movimentos de renovação da música litúrgica, os limites e potencialidades que encontram na criação contemporânea, as linguagens que os têm inspirado e as potencialidades da música como experiência comunitária a merecer hospitalidade. A música pode ser uma arte de dizer Deus[7].

Tornou-se um slogan repetir que a Igreja anda atrasada, vários séculos, em relação aos movimentos culturais da história moderna. Certo. Em relação à extraordinária mensagem de Jesus Cristo, são os movimentos sociais, culturais e espirituais, dentro e fora da Igreja, que andam sempre atrasados.

 

03. Janeiro. 2021

 

 



[1] Thomas Piketty, Capital e Ideologia, Temas e Debates, 2020

[2] Cf. José Manuel Bernal, Para Viver O Ano Litúrgico, Gráfica de Coimbra, 2001, 277-345

[3] Isaías 60, 1-6 e Salmo 72

[4] Efésios 3, 2-6 e Mateus 2, 1-12

[5] Contos Exemplares, Figueirinhas, 200435, 143-165

[6] Nós Somos Igreja reproduziu este texto essencial

[7] Cf. 7Margens (26 Dez 20)