Crónicas PÁRA E PENSA
Na continuação
do Papa Francisco
O Papa Leão XIV já declarou várias vezes que quer
seguir a herança do Papa Francisco e, por isso, quer
continuar a sinodalidade, que, como diz até o étimo,
quer dizer caminhar juntos.
Sim, pensando de modo consequente,
verdadeiramente o caminho só pode ser esse, o
sinodal. Evidentemente, quando se pensa na Igreja
cristã, a mensagem é que tem de ser o núcleo, e a
mensagem é: a fé em Jesus e no seu Evangelho, o
Deus-Amor, Pai-Mãe, com todas as consequências:
agir com a dignidade de filhos e filhas e amarmo-
nos todos como irmãos e irmãs... E o caminho é
juntos.
Evidentemente, é de igual modo claro que, onde
há muita gente, muitos e muitas, e espalhados por
do Papa Francisco
O Papa Leão XIV já declarou várias vezes que quer
seguir a herança do Papa Francisco e, por isso, quer
continuar a sinodalidade, que, como diz até o étimo,
quer dizer caminhar juntos.
Sim, pensando de modo consequente,
verdadeiramente o caminho só pode ser esse, o
sinodal. Evidentemente, quando se pensa na Igreja
cristã, a mensagem é que tem de ser o núcleo, e a
mensagem é: a fé em Jesus e no seu Evangelho, o
Deus-Amor, Pai-Mãe, com todas as consequências:
agir com a dignidade de filhos e filhas e amarmo-
nos todos como irmãos e irmãs... E o caminho é
juntos.
Evidentemente, é de igual modo claro que, onde
há muita gente, muitos e muitas, e espalhados por
toda a Terra, se impõe um mínimo de organização,
que tem de ser meio e não fim, pois tem de estar
ao serviço da mensagem. Não foi o que, como se lê
no Evangelho segundo São Mateus, Jesus quis dizer
a Pedro, louvando-o porque proclamou que ele é o
Messias, mas chamando-o Satanás, porque pensou
que a salvação vinha mediante o poder? Que diria
Jesus hoje das Paróquias, das Dioceses e sobretudo
do Vaticano, da sua pompa, das suas vestes, das
suas mitras, das suas intrigas, escândalos,
privilégios...? E não era sobretudo da Cúria que se
queixava Francisco? Dizia acidamente: “É mais difícil
reformar a Cúria do que limpar a esfinge do Egipto
com uma escova de dentes”.
Afinal, quem decide na Igreja? Poucos, muito
poucos, homens celibatários e de idade avançada,
numa Igreja hierárquica, vertical, clerical, misógina,
sem divisão de poderes... Francisco queria uma
Igreja sinodal, com a participação de todos. Um
parêntesis: já se reparou no que se passa na Igreja,
quando se pensa, por exemplo, num Consistório de
cardeais, mesmo que mundial? Afinal, o Papa
reúne-se com aqueles que o elegeram a ele, tendo
eles próprios sido escolhidos por ele ou outro
Papa... Não estamos — perdoe-se a expressão —
perante um círculo “incestuoso”?
Numa obra importante, “Quem manda na
Igreja? (Quién manda en la Iglesia? Notas para una
sociología del poder en la Iglesia Católica del siglo
XXI), o sociólogo católico Javier Elzo apresenta outro
modelo para a Igreja do século XXI: “Uma Igreja em
rede, à maneira de um gigantesco arquipélago que
cubra a face da Terra, com diferentes nós em
diferentes partes do mundo, inter-relacionados e
todos religados a um nó central, que não
centralizador, que, na actualidade, está no Vaticano.
Aí ou noutras parte do planeta, todos os anos se
reuniria uma representação universal de bispos,
padres, religiosas e religiosos, leigos (homens e
mulheres), todos sob a presidência do Papa, para
debater a situação da Igreja no mundo e adoptar as
decisões pertinentes” e iluminar os grandes
problemas da Humanidade. Portanto, um Sínodo
verdadeiramente universal, no qual o Papa continua
a ter uma palavra decisiva, mas onde todos têm
direito a voto e tomando decisões com uma maioria
clara (dois terços?)...
Continuaremos. Mas, para já, ficam estas duas
perguntas, inevitáveis: Continuará a lei do celibato
obrigatório para os padres? Continuará a intolerável
discriminação da mulher na Igreja, que a impede de
presidir à celebração da Eucaristia?
Sábado, 31 de Janeiro de 2026
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