sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Misericórdia é o tema da Semana dos Seminários 2015


“O sacerdote, homem chamado e escolhido de entre os outros homens, é fruto do olhar misericordioso de Jesus, que quer salvar a todos. Não se trata de alguém perfeito, irrepreensível e santo, mas de alguém para quem o Senhor olhou com misericórdia, sem explicação nem motivação compreensíveis”,

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Colocada estátua de Comboni no santuário de Guadalupe


"...O P. Erasmo Bautista, superior provincial, com o seu conselho, convocou os confrades e amigos para participarem nesta cerimónia de entronização e bênção de uma escultura de São Daniel Comboni, em bronze, no maior santuário mariano do mundo..."

domingo, 25 de outubro de 2015

SÍNODO DAS FAMÍLIAS OU DOS BISPOS? (2) Frei Bento Domingues


1. Perguntaram-me, com razão, na sequência do texto do Domingo passado: O Sínodo das Famílias até pode ser uma boa ideia, mas que se entende, hoje, por Família?

 O documento de trabalho para a preparação do Sínodo (2014) apresentou as situações inéditas que teriam estilhaçado, nas últimas décadas, a significação mais óbvia de família ou assim considerada.

O texto de O. Bonnewijn, reprodução de uma sua conferência em Cracóvia, tenta descrever e avaliar as chamadas famílias pós-modernas[i].

Estas seriam o resultado de uma desconstrução crítica e de uma reconstrução livre, com as peças desconjuntadas das concepções tradicionais dos agregados familiares.

Como é que isso foi acontecendo? Procurando, por um lado, reinventar - ao sabor e à medida de projectos individuais e sociais - a constituição e a articulação de laços, papéis, sexos e gerações; por outro, promovendo, ao máximo, os valores de autonomia criativa e optando - no sentido ultraliberal do termo – pelo desenvolvimento pessoal, pela qualidade relacional, pelo desabrochamento afectivo e sexual.

Ao concretizar um modelo igualitário, democrático e contractual, as famílias pós-modernas julgam estar a realizar uma revolução antropológica e cultural, fruto de um progresso decisivo e irreversível da humanidade.

Nesta perspectiva, as novas concepções seriam o dobrar dos sinos das famílias-clã pré-modernas, isto é, um sistema patriarcal de tendência holística, sem espaço privado, cuidando apenas em transmitir a vida e o património.

 O dobrar dos sinos recai também sobre as famílias nucleares modernas, pelo menos na sua forma conservadora: um homem entregue à produção, unido a uma mulher destinada à reprodução e às tarefas domésticas. Este modelo sócio-cultural estaria fundado sobre a desigualdade dos parceiros e dos seus respectivos papéis, sobre uma definição naturalista dos sexos e num certo machismo hétero-sexista, sobre valores do dever, do sacrifício e da rentabilidade industrial. Esse tipo de família, fabricado pela burguesia, teria sido sacralizado pela Igreja e difundido como um ideal nas classes trabalhadoras.

2. Estamos, agora, perante modalidades radicalmente novas de agregação familiar, assim caracterizadas: modalidade heterossexual, recomposta ou não: um homem e uma mulher vivendo em conjunto sem compromisso civil ou religioso, com ou sem filhos; modalidade homossexual, declarada homo-parental, em caso de parentalidade; modalidade celibatária, declarada monoparental, em caso de parentalidade; modalidade de casamento institucional, hétero ou homo, aconteça ou não depois de um divórcio e o que mais possa vir a acontecer.

 A desconstrução e a reconstrução atingem também a paternidade e a maternidade. Com ou sem a ajuda da biotecnologia dá para haver várias “mães” e vários “pais” (ou nenhuns) da mesma criança. Introduzindo uma separação entre o biológico e o social construído, as famílias podem figurar como puros produtos culturais. A família fundada sobre a diferença dos sexos e sobre a sucessão das gerações estaria ameaçada de marginalização.

O ideal de uma genealogia clara e coerente que permita à criança acolher, imaginar, pensar e configurar a sua própria filiação, respondendo a perguntas elementares, parece também marginalizado: quem é meu pai, quem é minha mãe, quem são meus avós, os meus tios e tias, os meus primos e primas?

Os filhos não pediram para nascer nem são consultados à nascença sobre o modelo cultural em que desejariam crescer, mas um dia vai ser preciso responder às suas perguntas. 

3. O Sínodo cristão das famílias ainda se torna mais urgente nesta paisagem em mudança. O amor humano (nas suas expressões eróticas, de amizade e de pura gratuidade) é mais forte do que a morte e foi interpretado na Bíblia, como parábola da Aliança indissolúvel de Deus com todos os seres humanos.

Quando duas pessoas convergem em desejar, por amor, fazer família e resolvem casar, naquele momento, formam um só desejo. Nesse desejo há uma vontade de que seja para sempre, uma continuidade no tempo. É uma promessa de constância. Vivemos de acreditar, de prometer, de esperar.

Esquece-se, porém, algo fundamental: a própria declaração de casamento é mútua, mas não é a dissolução de um no outro. Nenhum é anulado na sua irrepetível originalidade. São duas fragilidades a convergir numa só fragilidade, numa só “carne”. Não é o casamento de duas divindades imutáveis, alheias ao devir, ao tempo, às vicissitudes da vida, ao imprevisível.

 O amor de Deus por nós é indissolúvel em todas as situações. O amor humano, dos seres humanos, precisa de sabedoria e de prudência para ser fiel a si mesmo. É tarefa diária para toda a vida e tem de ser do casal.

Quando se pergunta o que pode a Igreja fazer nas situações acima referidas, pensa-se logo: que poderão fazer o Papa, os bispos, os cardeais, os monsenhores, os cónegos e os padres? Esquece-se o essencial: estes são Igreja na medida em que comungam com todos os baptizados. São serviços da Igreja, mas é o conjunto das famílias que pode evangelizar a família.

 

25.10.2015




[i] O. Bonnewijn,« Familles postmodernes», NRT 137 (2015) 587-596

sábado, 24 de outubro de 2015

Papa anuncia a instituição de um novo Dicastério



“Decidi instituir um novo Dicastério com competência em relação aos leigos, a família e a vida, que substituirá o Pontifício Conselho para os Leigos e o Pontifício Conselho para a Família, e ao qual será anexada a Pontifícia Academia para a Vida”.

domingo, 18 de outubro de 2015

SÍNODO DAS FAMÍLIAS OU DOS BISPOS? (1)- Frei Bento Domingues


1. Há dias, um amigo dizia-me, com ar sentencioso: a vida de uma pessoa, comparada com a duração do mundo, não é apenas breve, é insignificante. Vós, os católicos, tendes a mania de negar a evidência, inventando a ideia de vida eterna quando, de facto, não passa de um fruto enganador da megalomania do desejo. Para não entrar numa discussão estéril, citei-lhe uma frase de Manuel da Fonseca, mais radical e evidente: isto de estar vivo, ainda vai acabar mal!

A conversa tinha começado pelos rumores em torno do Sínodo dos Bispos. Segundo este amigo, está a preparar-se a primeira grande derrota do Papa Francisco. O seu raciocínio era simples: os bispos de todo o mundo dispõem de um passado e do Direito Canónico que lhes oferece a ilusão - assim como à Cúria vaticana - de mandar no imaginário de uma realidade universal, com uma longa história de muitas configurações culturais e religiosas: a Família. Para eles, as normas contam mais do que a felicidade ou infelicidade das pessoas e dos casais. O Papa Francisco, pelo contrário, acordou para as exigências do humanismo cristão, mas não conseguiu acordar os outros bispos do sono dogmático.

 Anselmo Borges fez muito bem em apresentar um artigo de J. M. Castillo que mostra e documenta que não existe nenhuma declaração dogmática que imponha a indissolubilidade absoluta do casamento[i]. Nestas crónicas, notifiquei, desde 1993, as posições que justificavam a possibilidade do acesso dos divorciados recasados  à Eucaristia, assim como a discussão aberta em torno da indissolubilidade do Matrimónio que o Direito Canónico impôs[ii].

Além disso, se a vida das pessoas é muito breve, a ética inter-geracional não pode pensar apenas em termos do tempo curto das pessoas, mas insistir no tempo longo: o mundo não começou agora nem vai acabar hoje. Não é saudável deixar para o futuro o que já é possível resolver. A espiritualidade do provisório, do pão nosso de cada dia, é parecida com o dito do poeta: não há caminho, o caminho faz-se caminhando. De qualquer modo, o Evangelho de Jesus Cristo segue a lei do alívio dos oprimidos, não a atitude farisaica que carrega os abatidos sempre com mais pesos.

2. Ao que parece, há agitações no Sínodo e fora do Sínodo, com ameaças de cismas, de cisões na Igreja e não sei que mais!

Parece-me que se está a esquecer algo de muito elementar: estamos perante o Sínodo dos Bispos sobre a Família, não do Sínodo das Famílias traçando orientações para a sua caminhada segundo as diferenças de continentes e culturas. Este virá a seguir. Agora estamos perante o Sínodo dos bispos celibatários, com responsabilidades inalienáveis na Igreja universal, confrontando pontos de vista antropológicos, cristológicos e pastorais para oferecerem um bom contributo para a felicidade das famílias. Não alimento sonhos delirantes nem visões apocalíticas sobre esta grande reunião.

Procurou-se esquecer o Vaticano II (1962-1995) que foi a grande revolução católica do séc. XX. Agora, estamos a colher as consequências desse vazio. Foram várias gerações que o não aprofundaram e que ouviram, a vários níveis, as vozes que apresentaram a sua memória como uma desgraça para a Igreja. Quando se julgava que estava enterrado para sempre, surge o Papa Francisco estragando esse cálculo.

Muitos queixam-se de que é o no seio do clero mais novo que surgem os padres mais reacionários. Talvez. São, porém, facilmente cooptados pelos movimentos e grupos que desejam neutralizar o impacto Bergoglio, a nível interno da Igreja e da sociedade. São manipulados que tentam manipular.

3. Em vez de perder tempo com as atoardas sobre os possíveis cismas na Igreja, devido à livre discussão que o Papa Francisco introduziu na sua orientação pastoral, talvez fosse melhor começar a pensar e a desenhar o próprio Sínodo das Famílias, segundo os continentes geográficos e culturais, a partir das paróquias, dos movimentos, dos casais, de forma inclusiva, em termos de caminhada, mais ou menos longa, segundo os contextos. Os Bispos têm mensagens e orientações para as famílias, mas não serão as famílias que vivem experiências de êxitos e fracassos matrimoniais a poderem apontar caminhos possíveis para a felicidade familiar?

Várias vezes nestas crónicas, destaquei a falta de senso quanto ao acesso dos divorciados recasados à Comunhão Eucarística, cuja simbólica é uma ceia. Como é possível convidar uma pessoa para jantar e dizer-lhe: vem, mas não podes comer!? Além disso, recomenda-se a estes pais - cuja norma os impede de comungar - que preparem e acompanhem a comunhão dos filhos. De repente, a criança pode pensar: mas a comunhão será só para crianças? Aí começa a debandada.

 

18.10.2015




[i] Anselmo Borges, Casamento católico: indissolúvel? DN 10.10.2015; José Maria Castillo, El Papa puede admitir a la eucaristía a los divorciados vueltos a casar, Religión Digital, 26.08.2015
[ii] Frei Bento Domingues, A Humanidade de Deus, p. 203-206, 1995; As Religiões e a Cultura da Paz, p 88-91, 2002. Cf. Fidélité et Divorce, Rev. Lumière & Vie, n.206, 1992 ; Francisco Gil Delgado, Divórcio en la Iglesia. História y Futuro, 1993; Michel Legrain, Os Divorciados e a Igreja, 1995

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Medalha de Mérito para o comboniano Francisco de Medeiros



"A Junta de Freguesia de Santa Clara, na Ilha de São Miguel, Açores, acaba de homenagear três personalidades, de entre as quais um missionário comboniano. O P. Francisco Alberto Almeida de Medeiros, de 64 anos, foi distinguido com o Diploma e a Medalha de Mérito de Santa Clara «pelo contributo dado à causa missionária além-fronteiras.» Nasceu em Fenais da Ajuda, mas os pais tinham residência em Santa Clara. Hoje, o missionário é superior da comunidade comboniana de Viseu, em Portugal, depois de ter trabalhado 24 anos na África do Sul, em dois períodos distintos."

Parabéns.



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Dia de São Daniel Comboni


"Celebramos no sábado, 10 de Outubro, a Festa de São Daniel Comboni, fundador dos institutos Missionários Combonianos e das Missionárias Combonianas"...

"Daniel Comboni nasceu a 15 de Março de 1831, em Limone sul Garda, Itália e morreu em Cartum, Sudão, no dia 10 de Outubro de 1881. Foram apenas 50 anos de vida, devorados por uma grande paixão: a de levar o Evangelho até o coração da África, caracterizada pela miséria e pelo comércio de escravos."...

"No dia 10 de Outubro de 1881, em Cartum, Comboni sucumbe devido ao peso do cansaço e das febres, dizendo aos seus companheiros: «Coragem no presente, mas sobretudo no futuro. Eu morro, mas a minha obra não morrerá!»"

A comunidade da Maia celebrou  a festa de Daniel Comboni no dia 12 de Outubro com uma palestra feita pelo Provincial, Pe. José Vieira, sobre o Capítulo em que participou. Seguiu-se uma Eucaristia presidida pelo Provincial de Moçambique com a participação de toda a comunidade e alguns convidados, após o que se seguiu um almoço e convívio.

Eu estive presente a convite do Pe. Dário e em representação dos antigos alunos.